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8 de January, 2026

Invasão à Venezuela: Moçambique é sempre um país que fica no muro – diz especialista

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Quase quatro anos depois de se ter mantido em silêncio quando a Rússia invadiu a Ucrânia, o Governo moçambicano volta a ficar calado em relação à invasão dos EUA (Estados Unidos da América) à Venezuela, ocorrida na madrugada do último sábado, e que culminou com o rapto do presidente daquele país latino-americano, Nicolás Maduro Moros.

Para o especialista em relações internacionais, Muhamad Yassine, o silêncio do Governo de Moçambique “é estratégico para um Estado como o nosso, que não tem poder nenhum”, porém, “denota fragilidades”. Aliás, Yassine recorda que a democracia moçambicana, desde os seus primórdios, é uma diplomacia silenciosa, “que não se faz no xadrez internacional através de barulho”, mas que tenta fazer um papel menos visível para tentar perceber e se posicionar. “Ou seja, Moçambique é um país que sempre fica no muro. Não está com este e nem com aquele”, sublinha.

No entanto, para o especialista, o silêncio não se deve apenas à “diplomacia silenciosa” do país, mas também às consequências que o Governo moçambicano pode sofrer ao condenar a acção norte-americana. “O actual Governo não está em condições de exigir um retorno à legalidade na Venezuela, tendo em conta que a sua ascensão ao poder foi de uma forma atabalhoada. Então, Moçambique olha para o impacto que pode ter de uma diplomacia mal feita. Daí fazer sentido que Moçambique se faça ouvir através da União Africana e através da SADC, que são organizações que agem em bloco”, defende.

Aliás, em entrevista à “Carta”, Muhamad Yassine afirma que o posicionamento do país está vertido na posição da União Africana – que condena as acções protagonizadas pelo Governo de Donald Trump – uma vez que os pareceres desta organização tem sido em consonância com o posicionamento dos Chefes de Estado.

Contudo, Muhamad Yassine não tem dúvidas de que o modelo usado pelos EUA para depor Nicolás Maduro Moros “é condenável” e “qualquer Estado deverá se pronunciar contra essa posição”. Mas, “Moçambique perde estando do lado da Venezuela que do lado dos Estados Unidos”.

“A questão central seria: Moçambique não condenou as eleições irregulares e fraudulentas que levaram Maduro ao poder, que devia ter feito como Estado Soberano e que se rege em função de uma Constituição transparente. Não o fez. Pelo contrário deu sinais claros da incrementação das relações com o regime de Venezuela após tomada de posse de Maduro. Então, como vai condenar a retirada de um governo considerado legítimo”, questionou.

Refira-se que Nicolás Maduro foi deposto pelos EUA na madrugada do último sábado, após ataques à capital venezuelana, Caracas, e levado aos EUA junto com a esposa, Cilia Flores Maduro. Na sequência dos bombardeamentos norte-americanos, pelo menos 100 pessoas morreram, segundo o Ministro do Interior venezuelano, Diosdado Cabello.

Nicolás Maduro foi formalmente acusado de narcoterrorismo na última segunda-feira, em uma audiência em Nova York, na qual se declarou inocente e disse ser um “prisioneiro de guerra”. O Chefe de Estado venezuelano é acusado de conspiração para o narcoterrorismo; conspiração para o tráfico de cocaína; posse de metralhadoras e dispositivos explosivos; e conspiração para posse de metralhadores para uso pelo narcotráfico.

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