A TotalEnergies avançou que os parceiros do projecto Mozambique LNG, da Bacia do Rovuma, vão injectar “capital próprio adicional”, para suprir o défice causado pelo recuo das agências de crédito à exportação UK Export Finance (UKEF), do Reino Unido, e Atradius, dos Países Baixos.
“Os parceiros do Mozambique LNG acordaram, de forma unânime, em disponibilizar capital próprio adicional, para substituir as contribuições da UKEF e da Atradius, que representavam, no conjunto, cerca de 10% do financiamento externo”, refere a multinacional francesa, em comunicado a que Carta teve hoje acesso.
A TotalEnergies emitiu a nota, “na sequência das comunicações feitas pelas autoridades do Reino Unido e dos Países Baixos sobre o envolvimento das suas agências de crédito à exportação no financiamento do projecto Mozambique LNG”.
De acordo com a imprensa moçambicana e internacional, a UKFE e a Atradius decidiram suspender o financiamento ao referido empreendimento, devido a preocupações com o respeito pelos direitos humanos em Cabo Delgado e ao redireccionamento da sua aposta nas energias renováveis.
No comunicado a que Carta teve hoje acesso, a TotalEnergies salienta que, após o levantamento da “Força Maior”, no dia 07 de Novembro, por parte do Mozambique LNG, e a vontade do consórcio de retomar o projecto, os parceiros decidiram avançar sem a participação da UKEF e da Atradius, uma vez que estas duas agências de crédito à exportação ainda não tinham reconfirmado o seu compromisso.
“A TotalEnergies e os seus parceiros gostariam de agradecer aos financiadores que representam cerca de 90% do financiamento externo e que reconfirmaram o seu compromisso com o financiamento do projecto, reconhecendo o seu contributo positivo para o desenvolvimento de Moçambique”, vinca a empresa francesa.
A nota assinala que em 2020, o Mozambique LNG concluiu um financiamento de projecto no montante total de 15,4 mil milhões de dólares, com um grupo de cerca de 30 financiadores, incluindo agências de crédito à exportação e bancos comerciais.
Contudo, devido ao prolongado período de “força maior”, decretado na sequência de ataques terroristas ocorridos em Março de 2021, em Afungi, província de Cabo Delgado, o Mozambique LNG negociou com os financiadores um acordo de financiamento revisto, de forma a alinhar a documentação com o cronograma actualizado do projecto.
Alegações de abusos baseadas em “terceiros”
Na mesma nota, a TotalEnergies diz que tomou igualmente nota dos relatórios encomendados pelo Ministério das Finanças dos Países Baixos aos consultores externos Clingendael e Pangea Risk relativos à situação de direitos humanos e segurança em Cabo Delgado, mas lamenta que ambas as entidades não tenham viajado para Moçambique para realizar investigações no terreno.
Acusa os dois consultores de terem produzido um relatório baseado, sobretudo, em informação recolhida através de terceiros.
“Quanto às alegações de abusos de direitos humanos por membros das Forças de Defesa de Moçambique, a TotalEnergies reitera os esclarecimentos prestados pela Empresa a 20 de Novembro de 2025 e convida as partes interessadas a visitar a página dedicada no seu ‘website’”, enfatiza-se no texto.





