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Maputo -

Actualizado de Segunda a Sexta

18 de November, 2025

Paralisação da Maragra poderá reduzir produção de açúcar na campanha 2025-2026

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A Açucareira da Maragra, localizada no distrito da Manhiça, província de Maputo, encontra-se paralisada há mais de dois anos, após as cheias ocorridas em Fevereiro de 2023 terem danificado parte considerável do equipamento e afectado a produção de cana-de-açúcar, o que culminou com a suspensão das actividades.

Como consequência da paralisação da fábrica, a Associação dos Produtores de Açúcar de Moçambique (APAMO)entende que, na presente campanha agrária 2025-2026, o mercado nacional poderá ter menos açúcar. Todavia, a fonte disse que tal não afectará a oferta e o preço.

Em entrevista à “Carta”, o director executivo da APAMO, Orlando da Conceição, começou por frisar que,apesar da suspensão, nas campanhas anteriores, a Maragra continuou a fornecer ao mercado nacional açúcar produzido antes das cheias. Entretanto, para a campanha 2025-2026 poderá verificar-se menos açúcar no mercado nacional.

“Para esta campanha talvez tenhamos alguns desafios, porque até o ano passado a Açucareira da Maragra ainda conseguiu ter algum açúcar no mercado. Entretanto, para este ano, provavelmente teremos menos açúcar porque a previsão da produção da Maragra é zero”, afirmou Conceição.

Sublinhou que a suspensão da Açucareira da Maragra não irá criar perturbações na oferta da indústria, bem como no preço ao consumidor final. “Mesmo sem a Maragra, nós vamos conseguir satisfazer o mercado nacional. Mas o que pode acontecer é que poderemos ter menos açúcar que nas campanhas anteriores”, reiterou.

Em termos de balanço, o director executivo da APAMO relatou que, na campanha anterior (2024-2025), a indústria do açúcar produziu 228,4 mil toneladas de açúcar contra 210,8 mil toneladas registadas na campanha 2023-2024.

Apesar da suspensão da actividade da Maragra, a fonte avançou que, para a presente campanha agrícola, a indústria prevê produzir 245,6 mil toneladas de açúcar, mais 17 mil toneladas do que na última campanha.

Segundo Orlando da Conceição, das quantidades produzidas em todos os anos, mais de 50% foram vendidas no mercado nacional e o remanescente (excedente) para a exportação.   

A campanha agrária 2025-2026 arrancou no dia 13 de Novembro em curso, cujo lançamento no Posto Administrativo de Mafambisse, distrito de Dondo, província de Sofala, foi orientado pelo Presidente da República, Daniel Chapo, sob o lema: “Trabalhar a Terra é Criar Riqueza para Moçambique”.

Na ocasião, Chapo apelou à transformação da agricultura de subsistência numa agricultura moderna, produtiva e capaz de alimentar Moçambique, destacando que o sector é a “coluna vertebral da economia” e o sustento de mais de 70% da população.

Entre as principais metas de produção, destacam-se: 3,4 milhões de toneladas de cereais (aumento de 7%); 929 mil toneladas de leguminosas, com destaque para o feijão manteiga; Mais de 10 milhões de toneladas de raízes e tubérculos, com crescimento de 5% na mandioca; 180 mil toneladas de castanha de caju, representando um acréscimo de 13%; 5% de aumento no gado bovino e 26% na produção de ovos, incluindo a expansão da produção de soja, essencial para a avicultura nacional.

O Chefe de Estado reafirmou o compromisso do Governo em construir um sector agrícola inclusivo, sustentável e competitivo, assente em quatro eixos estratégicos: soberania alimentar, agro-industrialização, digitalização agrícola e gestão sustentável dos recursos naturais.

Chapo destacou ainda a importância da juventude, da mulher rural e do sector privado como motores da nova independência económica, sublinhando que “a independência se constrói com trabalho, inovação, determinação e coragem”.

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