A empresa Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) está a desenvolver uma série de projectos estruturantes para a reabilitação, modernização e expansão da Central de produção de energia eléctrica, localizada na província de Tete, centro do país, que completou este ano meio século de existência.
Os projectos enquadram-se no Plano Capex Vital 10 Anos, elaborado pela HCB ao longo dos últimos anos, para reverter o impacto negativo na fiabilidade e rentabilidade do empreendimento, resultante do crescente risco operacional no sistema de produção, devido ao alcance do fim da vida útil dos equipamentos e infra-estruturas.
Com a sua conclusão em 2032, o Capex Vital irá incrementar a produção de energia na HCB, dos actuais 2.000 Megawatts, para 4.000 Megawatts, para o consumo interno e para a exportação para os países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), com cada vez maior procura de energia para as suas economias.
Com esse nível, a hidroeléctrica moçambicana irá incrementar as receitas e dividendos para o Estado e posicionar ainda mais o país, como um dos principais produtores e fornecedores de energia na SADC.
Falando à imprensa na Central, o administrador-executivo da HCB para a Área de Produção, Transporte de Energia e Procurement, José Munice explicou que o Capex Vital surge de uma análise técnica dos equipamentos, após a infra-estrutura completar 50 anos. Nesse contexto, a HCB constatou que parte significativa dos equipamentos tem cerca de 50 anos de operações, facto que coloca riscos operacionais, que, para contorná-los, foram elaborados projectos de investimento.
Reabilitação da Central Sul

Dos vários projectos, José Munice destacou a reabilitação da Central Sul e as subestações de Songo e Matambo. Com a reabilitação da Central, a empresa prevê o incremento da capacidade de produção em 90 Megawatts.
“Na Central Sul, com cinco grupos geradores, faremos a substituição dos alternadores, faremos também a substituição das turbinas, os sistemas de controlo, sistemas auxiliares, entre outros”, explicou o administrador- executivo.
No que toca ao transporte de energia, explicou que a HCB irá fazer a modernização da Subestação de Songo, onde ocorre a conversão de energia de corrente alterna para a corrente contínua, o que permite transportá-la para a África do Sul, além do Zimbabwe, e para as zonas centro e norte de Moçambique.
“Na subestação de Songo, vamos proceder à substituição das válvulas conversoras, dos equipamentos de controlo, reabilitação dos transformadores, entre outros aparelhos. É aqui onde teremos a maior parte do investimento previsto neste projecto Capex Vital 10 anos”, frisou a fonte.
Além da Subestação de Songo, a HCB vai modernizar a Subestação de Matambo, responsável por distribuir a energia gerada pela HCB para as zonas centro e norte do país. “Aqui, também iremos fazer investimentos para modernizar e substituir alguns equipamentos que já estão fora do período de vida útil”, explicou José Munice.
Construção da Central Norte
Dos vários projectos, Munice mencionou também a Central Norte, que será construída ao lado da actual Central (Sul). Disse que terá uma capacidade de produção de energia de 1.245 Megawatts.
Construção da Central Solar

Do rol de projectos está ainda a construção da Central Solar com capacidade de 400 Megawatts projectada para ser instalada em Matambo, distrito de Changara, também na província de Tete. O principal objectivo da Central Solar é de suprir o défice de energia durante a reparação dos cinco grupos geradores de energia instalados na HCB, um por cada ano. Já decorrem estudos de pre-viabilidade para a implementação do projecto.
Além desses projectos, o administrador- executivo da HCB para a Área de Produção, Transporte de Energia e Procurement disse que há outros projectos em que a empresa vai participar no país, para o alcance dos 4.000 Megawatts de energia até 2032, como é o caso do Projecto de Hidroeléctrica de Mpanda Nkuwa, a jusante da barragem de Cahora Bassa, concebido para gerar 1.500 MW de energia. Para a implementação desse empreendimento, a HCB trabalha estreitamente com a empresa pública Electricidade de Moçambique (EDM).
Reabilitação de Estrada

Para a viabilização dos aludidos projectos no âmbito do Capex Vital 10 anos, a HCB está a investir 5,3 mil milhões de Meticais (cerca de 100 milhões de USD) para reabilitar a Estrada Nacional Nº 301, de 117 km, que liga a Cidade de Tete à vila de Songo, no distrito de Cahora Bassa. O investimento visa tornar a infra-estrutura robusta, para suportar os veículos pesados que irão transportar equipamentos para a reabilitação e modernização da Central Sul e não só.
Para além do valor da estrada, a administração da HCB não revelou o valor total do Capex Vital 10 Anos, porque ainda está em actualização. Contudo, José Munice disse que o financiamento está assegurado. Frisou que parte desse financiamento é de fundos próprios da HCB.
Entretanto, “Carta” sabe que os dois maiores e principais projectos do Capex Vital, nomeadamente, a Reabilitação da Central Sul (RS2) e a Reabilitação da Subestação do Songo (BF3), serão financiados com o suporte de duas facilidades, uma proveniente da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) já contratualizada e destinada a financiar o projecto (RS2) e outra proveniente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) na fase de negociação do contrato e destinada a financiar o projecto (BF3), totalizando 225.000.000 de Euros.
Com a contratação do financiamento com a AFD, a HCB beneficiou ainda, de um donativo concedido pela União Europeia (UE), no montante de 22.111.000 de Euros. Este donativo será utilizado para financiar alguns projectos do core business (instalação de fibra óptica) nas linhas em corrente alternada de Alta Tensão Songo-Matambo e Songo-Bindura e, Reforço de Fundações nas Linhas em corrente contínua de Alta Tensão, aquisição de equipamentos para monitoria ambiental e hidrológica na albufeira, construção do centro de formação no Songo, digitalização e melhoria de cibersegurança na HCB. (Evaristo Chilingue)





