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20 de October, 2025

O DIA EM QUE O MEDO TRABALHOU E O POVO PAGOU A FACTURA*

Escrito por

Venâncio Mondlane falhou na sua paralisação nacional, mas o dano psicológico e económico continua a ecoar num país cansado de manipulações populistas.

A PARALISAÇÃO QUE FALHOU, MAS FERIU

Entre 75% e 80% dos moçambicanos saíram para trabalhar no dia 20 de Outubro. O país não parou, apesar do apelo de Venâncio Mondlane para que “ninguém trabalhasse” em homenagem a Elvino Dias. Mas os 20% a 25% que ficaram em casa, movidos pelo medo de possíveis distúrbios, foram suficientes para travar o ritmo da economia e deixar o país a meio gás.

Sem barricadas, sem vandalismo, mas também sem normalidade. Foi a paralisação que não aconteceu, mas cujos efeitos se sentiram nos bolsos e no ânimo. Porque o medo, em Moçambique, já se tornou memória colectiva.
“Não se faz sabotagem apenas com armas, faz-se com palavras que paralisam a vontade do povo.”O LÍDER DE DUAS LÍNGUAS

Venâncio Mondlane fala duas linguagens. Quando está fora de Moçambique, veste o uniforme da fúria.

As suas _lives_ são sermões inflamados, dirigidos a uma plateia sedenta de confronto. Diz-se “organizador do país”, chama à desobediência e proclama que “ninguém deve pagar portagens”.
Convocou _manifestações de sete dias_, incitou fechos de mercados e insultou quem pensava diferente.
Atirou contra tudo e todos, contra os países da região, contra a União Europeia, contra jornalistas, contra os que ousaram discordar. E quando pediu asilo, ninguém o recebeu. Nenhum país aceitou acolher quem, nas suas transmissões, atacava exactamente os mesmos Estados que agora invocava como refúgio.
Foi a colheita do que semeou: isolamento diplomático e descrédito político.
“Nenhum país recebe quem passa a vida a insultar todos os países.” Agora, dentro do território nacional, o tom mudou. O discurso tornou-se mais calculado, o léxico mais civil.
Mas o objectivo permanece o mesmo: semear medo e instabilidade, medir o impacto das suas palavras e alimentar-se da inquietação alheia.A SABOTAGEM DISFARÇADA DE LUTO

O vídeo de 17 de Outubro foi um exercício clássico de manipulação emocional. Com voz mansa, Mondlane apelou a um “feriado nacional” para homenagear Elvino Dias, sabendo que a frase “ninguém deve trabalhar” teria eco social.
Não precisava de marchas, nem de barricadas. Bastava que o trauma colectivo fizesse o resto. Quem perdeu familiares nas convulsões que ele próprio instigou a partir do estrangeiro, quem viveu dias de terror e viu o país a arder, tem razões legítimas para temer.

E é natural que, mesmo sem nada para comer, muitos tenham preferido ficar em casa.
O medo é humano, o que é perverso é usá-lo como ferramenta política.
A sabotagem económica moderna faz-se assim: não se destrói a economia, mina-se a confiança.
E Venâncio sabe disso.QUEM PERDE QUANDO O PAÍS PÁRA

Não é a Frelimo quem perde. Nem os ministros, nem os grandes empresários.
Quem perde é o cidadão comum, o que vende pão na esquina, a mulher que vive do mercado, o jovem que precisava de uma entrevista de emprego, o motorista que hesitou em sair, a mãe que não levou o filho à consulta.

Esses são os que sofrem quando o país é paralisado em nome de causas fabricadas.
O populismo de Venâncio é feito à custa dos que menos podem. Promete libertação, mas oferece apenas incerteza. Faz-se passar por herói do povo, mas deixa o povo com fome, medo e contas por pagar.
“Os verdadeiros vencidos não são os do Governo. São os que ficaram em casa sem saber porquê.”O DIA 20: UM PAÍS MAIS MADURO

Desta vez, porém, o ensaio falhou. O país resistiu. A maioria saiu de casa e trabalhou. A diferença é que agora os moçambicanos já reconhecem a manipulação quando a vêem.

Venâncio perdeu força, não apenas porque moderou o discurso, mas porque o país aprendeu que a sua retórica é um negócio político alimentado pela instabilidade. Sem a cobertura dos malfeitores que antes vandalizavam e cobravam portagem nas barricadas, ficou-lhe só a palavra… e a palavra, sem acção, perdeu impacto.A LIÇÃO DESTA SEMANA

Quem quer liderar não convoca feriados populares para testar o país. Não brinca com o trauma de uma nação que ainda chora os seus mortos. Liderar é organizar, não desorganizar; unir, não dividir; curar, não reabrir feridas.
Venâncio Mondlane não é visionário nem mártir. É o rosto de um populismo que esgotou a sua própria fúria. E se há algo que esta semana provou é que Moçambique já começa a imunizar-se contra a manipulação emocional de quem confunde desobediência com coragem.
A sabotagem do século XXI já não explode fábricas – corrói consciências. E Venâncio Mondlane tornou-se o engenheiro desse silêncio.
O apelo à paralisação nacional revelou menos poder do que medo. Entre a retórica populista e a responsabilidade política, Venâncio Mondlane voltou a escolher o lado errado da história: o da desordem disfarçada de patriotismo.
*Leitor devidamente identificado
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