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6 de October, 2025

Impacto económico da retoma da TotalEnergies irá demorar – economista do Standard Bank

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Moçambique recebeu na semana passada notícias sobre a retoma, nos próximos meses, do Projecto Mozambique LNG liderada pela TotalEnergies, na Área 4 da Bacia do Rovuma. Entretanto, o economista-chefe do Standard Bank, Fusio Mussá entende que o impacto do Projecto na economia moçambicana irá demorar, depois de o país ter sido severamente afectado pela tensão pós-eleitoral de Outubro a Dezembro de 2024.

“A retoma do projecto da TotalEnergies de gás natural liquefeito (GNL) irá provavelmente contribuir para um sentimento positivo, mas demorará algum tempo até que este projecto comece a ter impacto no crescimento económico”, afirmou Mussá, no Relatório do Inquérito Purchasing Managers’ Index (PMI), que avalia mensalmente o pulsar da economia do sector privado.

Antes, porém, Mussá lembrou que a economia registou contrações homólogas do Produto Interno Bruto (PIB), entre o último trimestre de 2024 e o segundo trimestre de 2025, o que denota uma recuperação lenta do impacto das perturbações do período pós-eleitoral.

“Não ficaríamos surpreendidos se os dados do PIB para o terceiro trimestre de 2025 mostrassem que esta economia continua em recessão. As nossas previsões apontam para que esta economia saia da recessão a partir do quarto trimestre de 2025, apoiada sobretudo por efeitos de base favoráveis”, afirma o economista-chefe do Standard Bank Moçambique.

No relatório do PMI, Mussá mostra cepticismo em relação ao Plano de Recuperação e Crescimento Económico (PRECE), avaliado em 2.7 biliões de USD, recentemente aprovado pelo Governo. O economista defende que, apesar da existência do PRECE e da descida das taxas de juro, o Standard Bank não está convencido de que as pressões fiscais e as associadas à liquidez do mercado cambial se resolvam no curto prazo. “O PRECE está replecto de medidas administrativas, algumas das quais contrárias aos mecanismos de mercado, que podem introduzir mais distorções nos preços relativos da economia”, acrescentou Mussá.

O Relatório de PMI concluiu que as empresas do sector privado moçambicano assinalaram a segunda queda em Setembro. “O PMI do Standard Bank Moçambique caiu pelo segundo mês consecutivo de 49,9 em Agosto para 49,4 (corrigido de sazonalidade) em Setembro, indicando mais um mês de fraco desempenho da economia do sector privado”, comentou o economista.

Segundo Mussá, a queda reflete contracções mensais nalguns dos subíndices do PMI, incluindo novas encomendas e stocks de aquisições. Contudo, ressalvou que, o subíndice do PMI de expectativas empresariais para o futuro de Setembro diminuiu em comparação com o mês anterior, mas manteve-se muito acima do valor de referência de 50, o que sugere que os inquiridos continuam optimistas quanto ao crescimento da produção nos próximos 12 meses.

O PMI do Standard Bank Moçambique é compilado mensalmente, a partir das respostas aos questionários enviados aos diretores de compras de um painel de cerca de 400 empresas do setor privado. O painel é estratificado por setor específico e dimensão das empresas em termos de número de colaboradores, com base nas contribuições para o PIB. Os setores abrangidos pelo inquérito incluem a agricultura, a mineração, o setor manufatureiro, a construção, o comércio por grosso, o comércio a retalho e os serviços. Os dados foram recolhidos pela primeira vez em março de 2015.

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