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3 de September, 2025

Daniel Chapo inicia hoje uma visita de três dias à Argélia, escreve Abílio Maolela, nosso enviado especial

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O Presidente da República, Daniel Chapo, é esperado esta noite, em Argel, capital argelina, onde, a partir de amanhã, quinta-feira, inicia uma vista de três dias àquele país do magreb, no âmbito do fortalecimento das relações bilaterais entre as duas nações africanas.

Com a sua chegada prevista para às 21h00 de Argel (22h00 de Maputo), Daniel Chapo vai, primeiro, participar da quarta edição da Feira de Comércio Inter-Africano (IATF, sigla em inglês), uma plataforma de negócios que reúne empresas e homens de negócio de África e do mundo, com objectivo de promover o comércio e informações sobre os desafios e soluções para o comércio dentro do continente africano.

Organizada pelo Banco Africano de Exportação e Importação (Afreximbank), a Feira inicia esta quinta-feira, 04 de Setembro, e termina na próxima quarta-feira, 10 de Setembro. O evento vai juntar 10 chefes de Estado africanos. Chapo deverá ainda participar, no mesmo dia, de uma mesa redonda presidencial.

Segundo a Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Lucas, Moçambique via partilhar, com os participantes, a sua situação económica, os esforços que o Governo está a fazer para alavancar a economia e o comércio e como o país vai-se beneficiar da zona do comércio livre continental.

Já no sábado, o Chefe de Estado vai ser recebido, em audiência, pelo Presidente da Argélia, Abdelmajid Tebboune, com quem vão passar em revista a cooperação entre os dois países, que remonta desde a luta de libertação nacional, quando aquele país magrebino acolheu e formou alguns guerrilheiros da Frente de Libertação de Moçambique.

Na mesa do diálogo estará o grau de implementação dos consensos alcançados entre o presidente argelino e o ex-presidente moçambicano, Filipe Jacinto Nyusi, durante a visita de Estado realizada em Março de 2024, por um lado, e, por outro, os passos a serem dados e as novas áreas de cooperação a serem exploradas entre os dois países, entre elas, as áreas de transporte e logística, incluindo as ligações áreas entre os dois países, através da companhia aérea argelina, a Air Algerie.

Entre os temas a serem discutidos estará a materialização do apoio de 30 milhões de USD anunciado pela Argélia, para a construção de um pavilhão desportivo multiuso e de uma nova praça dos heróis. Passados 18 meses, a promessa ainda não foi cumprida.

Igualmente, estará na mesa de diálogo a cooperação militar entre as duas nações, com vista ao combate do terrorismo, que assola província de Cabo Delgado há quase oito anos. Neste tema, Argélia prometeu, durante a visita de Filipe Nyusi, apoiar as FADM (Forças Armadas de Defesa de Moçambique) com equipamento e treinamento militar, porém, tal ainda não se efectivou.

Argélia é citada como um exemplo de sucesso no combate ao terrorismo, tendo conseguido combater grupos extremistas islâmicos, como a Al Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI), uma organização terrorista salafista surgida em 2007, quando o Grupo Salafista para Pregação e Combate jurou lealdade à al-Qaeda. O país enfrentou, na década de 90, uma devastadora guerra civil contra grupos islâmicos, que deixou mais de 150 mil mortos.

Em 2007, por exemplo, o AQMI realizou diversos ataques terroristas, que resultaram em mais de 100 mortos. Em 11 de Abril, dois atentados suicidas quase simultâneos com carros-bomba atingiram o palácio do Governo e uma delegacia de Polícia deixaram 33 mortos em Argel.

Em 11 de julho, 10 militares morreram e outros 35 ficaram feridos em um ataque suicida contra um quartel no sudeste do país. Em Setembro do mesmo ano, um homem-bomba explodiu em Batna (leste da Argélia) e provocou a morte de pelo menos 15 pessoas e 114 feridos. Dois dias depois, um novo atentado terrorista – dirigido contra o então presidente argelino Abdelaziz Buteflika – assassinou 30 pessoas e feriu 47, em Dellys (litoral da Argélia).

Em 11 de dezembro, dois atentados suicidas — um deles contra a sede do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados — causaram pelo menos 62 mortos, em Argel. Neste momento, o grupo mantem actividades na região do deserto, sobretudo junto às fronteiras com Mali, Níger e Mauritânia.

Aliada à segurança e cooperação militar entre os dois países, o outro tema que vai merecer atenção da delegação moçambicana é a revitalização da Comissão Mista de defesa e segurança das duas nações, cujas reuniões não se realizam há 22 anos.

Na sua visita à Argélia, Daniel Chapo vai também obter subsídios e experiência argelina na exploração e gestão dos recursos naturais, sobretudo de hidrocarbonetos. A Argélia é um país de renda média-alta, de acordo com o Banco Mundial, cuja economia é dominada pela exploração de petróleo e gás, que juntos têm um peso de cerca de 60% nas receitas do Estado, de 30% no PIB do país e de mais de 95% nos ganhos de exportação.

Membro da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) desde 1969, em 2020, a Argélia era o 17º maior produtor de petróleo do mundo, exportando 1.1 milhão de barris por dia. A cadeia de valor dos hidrocarbonetos argelinos é liderada pela empresa estatal Sonatrach, a maior petroquímica de África, que intervém nos processos de exploração e produção, transporte por gasodutos, refinação e marketing. Aliás, geralmente a Sonatrach tem a maior participação em acordos de partilha de produção com empresas estrangeiras.

Segundo Maria Lucas, é expectativa da delegação moçambicana sair da Argélia com os acordos e memorandos de entendimento assinados, como forma de dar ímpeto às relações diplomáticas entre as duas nações.

Refira-se, no entanto, que antes do encontro com o chefe de Estado argelino, o Presidente da República vai, na sexta-feira, encontrar-se com a comunidade moçambicana residente naquele país, na sua maioria constituída por estudantes. A Argélia conta, neste momento, com mais de 100 estudantes moçambicanos, formados em diversas áreas. Aliás, a educação é uma das componentes que vai integrar a agenda de trabalho do Presidente da República. A Argélia é dos países que têm disponibilizado dezenas de bolsas de estudo à Moçambique.

Na sua comitiva, Daniel Chapo é acompanhado pelos Ministros dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Lucas; da Defesa Nacional, Cristóvão Chume; da Educação e Cultura, Samaria Tovela; da Juventude e Desportos, Caifadine Manasse; entre outros gestores de instituições do Estado. (Abílio Maolela, em Argel)

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