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28 de August, 2025

Aumento do preço do carvão: Fornecedores e revendedores em rota de colisão no Município da Matola

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O preço do carvão vegetal está a gerar discórdia entre fornecedores e revendedores nos estaleiros do município da Matola. Em causa, está o aumento de 200 meticais por saco, valor que os revendedores classificam como “repentino” e “insustentável” para o negócio.

Segundo Manuel Julai, um dos revendedores, até à semana passada, o saco de carvão era adquirido a 1.200 meticais nos estaleiros locais, mas desde segunda-feira o preço passou para 1.400 meticais. A margem de lucro, afirma, deixou de compensar.

“Se compramos o carvão a 1.400, só conseguimos vender a 1.500. Isso não nos satisfaz, não compensa o esforço, até porque temos alguns revendedores que comercializam o carvão nos carros”, disse Julai que actua há vários anos no mercado da Matola.

Os revendedores argumentam ainda que a subida “não é justa e nem se explica”, sobretudo porque ocorre agora, num momento em que o Governo já liberou as licenças de exploração.

Do lado dos fornecedores, a versão é diferente. Jamal Nhamunze, que comercializa carvão há cerca de 20 anos, negou que tenha havido aumento repentino do preço.

“Estamos a vender a 1.400 meticais. Esse é o nosso preço. Há quem diga que vendemos mais caro, mas é mentira. Os revendedores é que fixam preços mais altos quando levam o carvão para fora e ainda ganham mais do que nós”, defendeu.

Outro fornecedor sublinhou que o preço praticado é o mesmo “desde o ano passado” e que apenas voltou ao normal após a regularização das licenças de comercialização.

No entanto, os revendedores insistem que o novo valor foi imposto de forma arbitrária. “De um dia para o outro, disseram que o saco de carvão passou para 1.400 meticais. Nós não estávamos preparados para isso”, sublinham.

Já os fornecedores contra-atacam, acusando os revendedores de inflacionar o produto nas zonas de revenda, chegando a comercializá-lo entre 1.600 e 1.800 meticais por saco.

Entretanto, falando a partir do estaleiro onde opera, Manuela Nhamussone justificou que não faz sentido que os fornecedores continuem a comercializar o produto a 1200 ou 1.150 Mts o saco, como pretendem os revendedores.

“O custo de transporte e de produção não permite que o saco de carvão seja vendido a 1.200 meticais. O valor justo é 1.400. É isso que estamos a praticar”, explicou.

Enquanto a “guerra comercial” se mantém, o mercado enfrenta um caos: camiões chegam carregados de carvão da província de Gaza, mas em vários pontos de revenda não há stock.

A situação surge após um período de escassez, causado pelo atraso na emissão de licenças de comercialização. Embora o governo já tenha autorizado a retoma, a tensão entre fornecedores e revendedores ameaça prolongar a crise do carvão vegetal, sobretudo na cidade e província de Maputo. (Carta)

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