A Mozal vai interromper o revestimento de potes de fundição de alumínio e os contratos com empreiteiros, a partir deste mês, devido ao impasse nas negociações sobre o novo preço de electricidade, anunciou hoje em comunicado a multinacional australiana South32, líder do consórcio que opera a firma.
“Limitaremos o investimento na Mozal, interrompendo o trabalho de revestimento de potes e parando o trabalho dos empreiteiros associados”, avança a South32, na nota de imprensa, assinada por Rob Jackson, vice-presidente de suprimentos.
A empresa considera inviável o preço de electricidade proposto para vigorar depois de Março de 2026, nas negociações entre o Governo de Moçambique, a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) e a empresa eléctrica sul-africana Eskom.
Essas negociações decorrem do facto de o actual acordo de fornecimento de electricidade à Mozal expirar em Março de 2023.
“Historicamente, a maior parte da electricidade para Moçambique tem sido gerada pela Hidroelétrica de Cahora Bassa, que é maioritariamente detida pelo Governo da República de Moçambique. Nos termos do actual acordo, a electricidade da Eskom é fornecida à Mozal, quando a HCB não consegue satisfazer todas as necessidades de electricidade da Mozal”, prossegue o comunicado.
A nova tarifa em discussão “tornaria a Mozal internacionalmente não competitiva”, diz a South32.
Devido ao impasse, o cenário mais provável é que a Mozal, instalada na província de Maputo, opere até ao fim do actual contrato de fornecimento de electricidade e seja colocada em cuidados e manutenção, em Março de 2026, refere-se ainda na nota.
Por outro lado, prossegue o texto, com base nos compromissos assumidos, a South32 não tem confiança de que a Mozal vai ter electricidade suficiente e a preços competitivos, quando o actual acordo terminar.
A multinacional australiana assinala que a HCB já indicou que as condições de seca preval_ecente têm o potencial de afectar a sua produção e a capacidade de fornecer energia suficiente à Mozal.
Manifesta, contudo, esperança numa solução viável que permita à Mozal operar para além de Março de 2026 e “manter a sua contribuição substancial para Moçambique”.





