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23 de July, 2025

Daniel Chapo usa linguagem agressiva e incendiária, instigando ressentimentos e reavivando o ódio entre os moçambicanos – Venâncio Mondlane

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Estão novamente extremadas as posições entre Daniel Chapo e Venâncio Mondlane, depois de o Presidente da República ter afirmado, em sucessivas entrevistas, que não havia acordo alcançado entre ele e o ex-candidato presidencial nos dois encontros realizados entre si nos dias 23 de Março e 20 de Maio últimos, com vista à cessação dos protestos pós-eleitorais e perseguições políticas.

Ontem, Venâncio Mondlane acusou Daniel Chapo de andar na contramão ao roteiro de paz e “em manifesto incumprimento do espírito que norteou o diálogo”. O político, que falava à sua saída da Procuradoria-Geral da República – após conhecer os crimes de que é acusado pelo Ministério Público – defendeu que, até ao momento, Daniel Francisco Chapo apenas cumpriu um ponto, de um total de seis discutidos e consensualizados.

“Apenas o primeiro ponto é que teve uma relativa melhoria, com a população e seguidores de Venâncio Mondlane a acatarem a mensagem. Cessaram as manifestações e os bloqueios de vias públicas. Nunca mais se registaram quaisquer danos, tanto públicos como privados”, afirmou Mondlane, em comunicado lido aos jornalistas, em Maputo.

Segundo o ex-candidato presidencial, o Chefe de Estado tem proferido discursos agressivos e incendiários, instigando ódio entre os moçambicanos. “O actual Chefe do Governo tem, frequentemente, em eventos públicos e privados, usado uma linguagem agressiva e incendiária e tem considerado anacronicamente as manifestações de violentas, ilegais e criminais, um flagrante exemplo de instigação de ressentimentos, reavivamento do ódio entre os moçambicanos e incentivos bastantes para se abandonar o espírito de perdão e reconciliação”, considera.

Aos jornalistas, Venâncio Mondlane explicou que nos dois encontros foram acordados seis pontos, sendo quatro na primeira reunião e dois no segundo encontro. O primeiro ponto é referente à cessação de todas as formas de violência física e verbal entre as partes (população e a Polícia). Neste ponto, sublinha a fonte, havia sido acordado que os dois líderes deviam fazer uma comunicação pública para cada campo de influência particular para que a paz fosse restabelecida, sendo que ele fez uma transmissão ao vivo na sua página do Facebook no dia seguinte ao encontro, enquanto Chapo se manteve em silêncio.

O segundo ponto estava relacionado ao acesso livre e gratuito, no SNS (Sistema Nacional de Saúde), da assistência médica e medicamentosa para os mais de 2000 cidadãos feridos pelas Forças de Defesa e Segurança (FDS) durante os protestos. O terceiro visava compensar as famílias que tiveram parentes assassinados pelas FDS durante as manifestações.

O quarto ponto, enumera, é a libertação dos mais de quatro mil cidadãos que se encontram detidos no âmbito das manifestações pós-eleitorais, ficando apenas por determinar se seria por via da amnistia ou do indulto. O quinto ponto é a viabilização do registo do partido do ex-candidato Venâncio Mondlane para que ele e seus colaboradores “pudessem ter uma instituição oficial para exercer o direito de participação política dentro do quadro legal e constitucional do país”.

Por último, Venâncio Mondlane revela ter colocado à mesa a possibilidade de integrar-se os quadros do seu projecto político na Comissão Técnica para o Diálogo Nacional e Inclusivo. Excepto o primeiro ponto, Mondlane garante que os restantes não foram implementados, embora tenham sido discutidos e acordados.

Mondlane sublinha que o diálogo foi testemunhado por oito cidadãos moçambicanos de reconhecido mérito, liderados pelo académico Severino Ngoenha (Coordenador). Integram o grupo Óscar Monteiro (veterano da luta de libertação nacional), Luís Bernardo Honwana (escritor), Narciso Matos (académico), Teodato Hunguana (antigo Juiz Conselheiro do Conselho Constitucional), Tomás Timbane (antigo Bastonário da Ordem dos Advogados de Moçambique), Carlos Martins (Bastonário da Ordem dos Advogados) e Thera Dai (advogada). (Carta)

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