Ângela Buque Leão já goza de liberdade condicional, desde a tarde desta terça-feira (17), depois de ter cumprido metade da pena de prisão. Importa destacar que Ângela Leão é uma das condenadas no processo das dívidas ocultas pelos crimes de branqueamento de capitais e associação para delinquir. Ela foi condenada a 11 anos de prisão maior, em 7 de Dezembro de 2022. Ângela Dinis Buque Leão é esposa de Gregório Leão, antigo Director-Geral do Serviço de Informação e Segurança do Estado (SISE), também condenado no mesmo processo.
Ainda hoje, foi restituído à liberdade condicional Ndambi Guebuza, o filho do antigo presidente Armando Guebuza. Amanhã, está prevista a libertação condicional dos restantes condenados no caso das dívidas ocultas, entre os quais, António Carlos do Rosário, Gregório Leão, Teófilo Nhangumele e Bruno Langa. Este grupo completou seis anos de reclusão em Fevereiro de 2025, o que corresponde à metade da pena imposta.
Os arguidos, detidos entre Fevereiro e Março de 2019, foram condenados a penas que variam entre os 10 e os 12 anos de prisão maior. As penas foram aplicadas pelo Juiz Efigênio Baptista, a 7 de Dezembro de 2022.
Com o decurso do tempo e o cumprimento dos requisitos legais, o processo de restituição à liberdade começou no mês passado pelos reclusos com penas mais curtas. Cipriano Mutota, antigo director do Gabinete de Estudos do Serviço de Informação e Segurança do Estado (SISE), foi o primeiro a deixar a cadeia, beneficiando de liberdade condicional. Mutota foi condenado a 10 anos de prisão e é apontado como o “delator” do esquema, após ter sido excluído da divisão do suborno pago pela empresa naval Privinvest.
O responsável recebeu cerca de 62,72 milhões de meticais (980 mil dólares), que usou para adquirir sete camiões (posteriormente vendidos), uma residência em Mapulango, distrito de Marracuene, e para investir no cultivo de gergelim.
A sua libertação ocorreu pouco tempo depois de o Tribunal Supremo ter dado provimento ao recurso apresentado pelo advogado Abdul Gani Hassan, em nome de Ângela Leão, pedindo a libertação da cliente por ter já cumprido metade da pena.
Depois, foi a vez de Fabião Mabunda deixar a prisão, condenado a 11 anos de prisão maior.
Mabunda actuou como “testa-de-ferro” do casal Gregório e Ângela Leão, recebendo em seu nome 569,6 milhões de meticais (8,9 milhões de dólares). Este montante foi investido em múltiplos bens imóveis, em Maputo, Boane, Quelimane e Ponta do Ouro, bem como em serviços de arquitectura e construção.
Como compensação pelos seus serviços, Mabunda terá recebido cerca de 17,5 milhões de meticais, valor que usou para adquirir uma retroescavadora. Foi detido em Março de 2019. O caso das dívidas ocultas é considerado o maior escândalo de corrupção na história do país.





