O novo Director Geral da LAM, João Jorge Pó, é um carreirista da aviação civil que chega ao topo da LAM depois de ter entrado na casa como estagiário em 1983, acabava ele de concluir sua Licenciatura em Engenharia Mecânica pela UEM.
Seu maior desafio agora é retirar a LAM de uma longa turbulência, num contexto de crise económica e de aperto da competição com a entrada de novos operadores no mercado doméstico, nomeadamente a FastJet e a Ethiopia Airlines.
Pó cré que em dois ou três anos é possível a LAM voar novamente com piloto automático, deixando para trás um rasto negro de opções de gestão duvidosas, que culminaram com uma volumosa dívida de cerca de 400 milhões de USD. Para tal, João Pó conta com o apoio do Governo e da massa trabalhadora da LAM, que ele classifica de “um capital humano dedicado, sacrificado mas que acredita que melhores tempos virao”.
Ele conta também com suas competências. Ao longo destes anos, o engenheiro com um MBA tirado no Arizona, EUA, trabalhou sobretudo no mercado internacional da aviação. Antes de se juntar, em 1995, à representação no Zimbabwe da Pratt & Whitney, uma subsidiária da United Tecnologies Corporation, que fabrica motores para aeronaves do mesmo nome (concorrentes dos motores Rolls Royce e General Electric e fornecedora da Airbus), João Pó frequentou um curso de gestão de companhia aérea na Britannia Airways, na Inglaterra, em 1986, durante 8 meses e, no regresso, passou a dirigir o departamento de engenharia da LAM, tendo sido o responsável pela montagem de seu sistema de qualidade. Em 1990, ele foi enviado para Seattle, onde trabalhou junto da Boeing quando a LAM estava a adquirir um 737 e um 767.
Regressou em 1993 para ser o engenheiro-chefe mas em 1995 partiu para o Zimbabwe para uma carreia fora do país que só terminaria em 2013 quando se junta novamente à LAM para dirigir uma frustrada operação de renovação da frota, já no consulado de Marlene Manave. Lá fora acompanhou fases marcantes da transformação do mercado africano de aviação. De 1995 a 2000 trabalhou em operações de manutenção e gestão financeira na Pratt no Zimbabwe, com uma ligação frequente com Connecticut, onde a fabricante tem seu quartel-general.
Entre 2000 ruma para os escritórios da Pratt no Senegal, colaborando no apoio a start ups de novas companhias aéreas na África Ocidental, depois do colapso da antiga Air Afrique, uma companhia que funcionava em regime de equity shareholder, compreendendo interesses de 11 países da região. A Air Senegal nasce nesse contexto, tendo Pó testemunhado os desafios dessa transformação. Em 2003, ele é enviado para a Etiopia para ajudar no turnaround da Ethiopia Airlines. Na altura a Etiopia acabava de expandir o aeroporto de Addis e, sob a liderança de Girma Wake, a companhia local fez crescer sua frota de 16 aeronaves para 66 em 2012. Desde que regressou em 2013, João Pó ainda pertenceu às administrações de Marlene Manave e Iacumba Auiba. Depois da administração de Aiuba ter sido exonerada em 2016, João Pó tem andando por aí, sempre com um pé na companhia, ajudando onde era chamado.
No passado dia 10 de Julho, quando a última crise da LAM despoletou, eu escrevi aqui assim: “João Pó é um nome incontornável se o Governo quiser aconselhamento competente sobre como curar a LAM”. E a escolha recaiu mesmo nele.x