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6 de August, 2020

EDM: Novo PCA aponta altos níveis de endividamento como principal desafio

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O recém-nomeado Presidente do Conselho de Administração (PCA) da Electricidade de Moçambique (EDM), Marcelino Gildo Alberto, aponta os altos níveis de endividamento como um dos principais desafios daquela empresa pública de electricidade. Dados a que “Carta” teve acesso indicam que a EDM deve perto de 600 milhões de USD a diferentes credores e fornecedores externos e internos.

 

Em primeira reunião com os funcionários, pouco depois de nomeado, Gildo destacou vários desafios que, doravante, deverá enfrentar durante o seu mandato. Apontou a cobertura limitada da rede eléctrica e os custos envolvidos; as infra-estruturas da rede obsoletas; as perdas técnicas e não-técnicas extremamente elevadas; a necessidade de provisão financeira para a energia social; e a cultura institucional pouco inclusiva em questões de género com prejuízo do sexo feminino.

 

Desses desafios, o novo PCA da EDM destacou também os altos níveis da dívida contraída pela empresa a terceiros. Dados constantes no mais recente Relatório Anual da Dívida Pública, elaborado pelo Ministério da Economia e Finanças (MEF), indicam que, até 2019, a EDM detinha um stock de dívida avaliado em 14.3 milhões de USD com credores externos, 5.1 milhões de USD de dívida interna.

 

“Carta” sabe ainda que a EDM deve pouco mais de 114.2 milhões de USD de compra de energia à Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), bem como um valor de cerca de 450 milhões de USD emprestados pelo Banco Mundial nos últimos três anos, conforme informou, há dias, o ex-Director daquela instituição em Moçambique, Mark Lundell, em entrevista à Televisão de Moçambique. Certo é que esses montantes somados, em 583.6 milhões de USD, podem não representar toda a dívida da EDM.

 

Em seu primeiro discurso, Gildo desafiou ainda os seus pares a redobrar esforços para que a EDM consiga alcançar as suas três prioridades estratégicas, nomeadamente, o alcance do acesso universal à energia, o posicionamento de Moçambique como polo de energia na África Austral e o estabelecimento de uma “empresa-modelo” de serviço público de electricidade, que optimiza a igualdade de género e a excelência empresarial e operacional.

 

“Como prioridades imediatas, apontou as perdas e solicitou que cada gestor apresente o mais breve possível um plano concreto de redução de perdas, o que vai contar para a sua avaliação de desempenho. Apontou que a nova Administração é pela transparência, aversão à corrupção, muita entrega e dedicação. Desafiou que se tirasse a empresa dos resultados negativos que tem registado, o que lhe permitiria aumentar salários”, lê-se no discurso transcrito e publicado no site da EDM.

 

Na reunião, o novo PCA disse ser imperioso ainda acelerar-se a reforma do procurement interno, bem como a adopção das novas tecnologias e do trabalho em equipa. Anunciou os princípios que nortearão a nova administração: integridade, transparência, igualdade, competitividade e espírito de equipa. Exigiu ainda profissionalismo, celeridade e satisfação do cliente.

 

“Vamos fazer história! Somos todos jovens e temos energia suficiente para tal. Profissionalismo. Celeridade e Satisfação do Cliente!”, concluiu o novo timoneiro da EDM. (Evaristo Chilingue)

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