O Ministério da Saúde (MISAU) introduziu um selo de rastreabilidade nos medicamentos e artigos médicos recebidos ontem em Maputo, com o objectivo de acompanhar o percurso dos produtos no Sistema Nacional de Saúde (SNS) e combater o seu roubo e desvio.
“Vai ajudar-nos a combater o roubo, o desvio de medicamentos”, disse o ministro da Saúde, Ussene Isse, durante a recepção dos medicamentos e artigos médicos adquiridos com apoio do Banco Mundial, realizada no Armazém Central de Medicamentos (CMAM).
O ministro explicou que o novo mecanismo permitirá saber onde estão os medicamentos, reforçando o controlo sobre os produtos ao longo da cadeia de suprimentos. “São poucos países no continente com esta capacidade de ter o selo, e saberemos onde é que o medicamento do Sistema Nacional de Saúde está”, acrescentou.
Para Ussene Isse, a introdução do selo deve contribuir para garantir que os medicamentos e materiais médico-cirúrgicos cheguem efectivamente aos pacientes e sejam usados para melhorar a prestação de cuidados de saúde. “Não basta só ter os medicamentos, podemos ter tantos medicamentos, mas se esses medicamentos não chegam ao paciente, não melhoram o atendimento, não aceleram as cirurgias, vale a pena? Não”, sublinhou.
O Ministro apelou aos responsáveis pelas unidades sanitárias para reforçar o controlo dos produtos recebidos, defendendo que cada medicamento e material utilizado seja devidamente contabilizado.
“Cada medicamento e cada luva que nós usamos tem de ser contabilizado”, afirmou, dando como exemplo a necessidade de se controlar a utilização dos materiais durante os turnos e na passagem de responsabilidade entre os profissionais.
Defendeu igualmente maior vigilância por parte dos enfermeiros-chefes e directores clínicos, advertindo que, sem controlo, os produtos recebidos podem desaparecer. O governante informou que o lote de medicamentos e materiais médico-cirúrgicos recebido está avaliado em cerca de 35 milhões de dólares, sendo que 50 por cento já foi pago com apoio do Banco Mundial.
Ele acrescentou que a entrega constitui uma resposta parcial às necessidades internas, e está prevista a chegada de mais medicamentos e kits, cuja distribuição deve abranger as unidades sanitárias e postos de saúde comunitários.
Na mesma ocasião, o representante do Banco Mundial, Fily Sissoko, destacou a importância da rastreabilidade para garantir maior responsabilização na cadeia de fornecimento de medicamentos. “A tecnologia só é transformadora quando as instituições a usam”, disse, considerando que o novo sistema permitirá construir um registo da cadeia de suprimentos até o local onde são usados.
Sissoko ressaltou que a disponibilidade dos produtos deve ser acompanhada pela capacidade de verificar se eles realmente chegaram às pessoas a quem foram destinados. “Disponibilidade sem responsabilização não é suficiente. Temos que responder à pergunta: o medicamento chegou à pessoa para quem foi destinado” perguntou.
Segundo Sissoko, o próximo desafio será utilizar a informação gerada pela rastreabilidade para identificar rupturas de stock, corrigir falhas na distribuição e melhorar a responsabilização ao longo da cadeia de abastecimento.
A cerimónia faz parte dos esforços do sector de saúde para reforçar a disponibilidade de medicamentos e itens médicos nas unidades sanitárias, contribuindo para a continuidade e melhoria da prestação de cuidados de saúde à população.





