A província de Cabo Delgado está, desde domingo (19), a viver um clima de pânico, com acusações de que há pessoas que provocam o encolhimento de órgãos genitais noutras pessoas, ao tocá-las no ombro.
Um idoso morreu vítima de agressões, no dia 20 deste mês, em Mocímboa da Praia, acusado de ter causado o encolhimento do pénis de um adolescente de 12 anos, após tocá-lo.
Dois professores também tiveram o tamanho dos seus órgãos genitais reduzidos, em Mocímboa da Praia e na vila de Mueda, supostamente após serem tocados.
Já na terça-feira (21), o fenómeno ocorreu na cidade de Pemba, concretamente na zona da Emulação Socialista, no Bairro Natite, onde um agente económico viu o seu órgão genital encolhido, depois de ter sido tocado por um conhecido, enquanto vendia na sua barraca.
Este caso motivou uma tentativa de linchamento do acusado, mas a pronta intervenção dos agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM) evitou o pior.
Ainda na cidade de Pemba, outros dois casos foram reportados nos bairros de Mahate e Chuiba, tendo a pronta intervenção de agentes da PRM que estavam à paisana evitado que o pior acontecesse.
Em Natite e Chuiba, devido à agitação, os alunos foram obrigados a abandonar as aulas.
“Aqui em casa chegaram crianças a correr, disseram-me que a situação chegou na escola e todos os alunos saíram correndo, uns até saltaram muro da escola”, afirmou uma encarregada de educação daquele estabelecimento de ensino primário.
A PRM diz estar a par da situação, mas a porta-voz do Comando Provincial, Eugénia Nhamussua, avançou que apenas informações médicas podem explicar a verdade dos casos, descartando a versão popular que alega ser um fenómeno associado à “magia negra”.
Nhamussua disse que, além de Pemba, Palma e Mocímboa da Praia, o fenómeno foi igualmente reportado no distrito de Nangade, mas o que preocupa a PRM é a prática da chamada “justiça pelas próprias mãos” por parte da população.
Por outro lado, o fenómeno, que ainda não tem explicação científica, mas que se alega que tenha vindo da Tanzânia e se alastrado para a República Democrática do Congo (RDCongo), está a criar oportunidades de negócio.
É que, nos últimos três dias, foi construída a narrativa de que o alfinete e borracha normalmente usados para “amarrar” o dinheiro pode ser a solução para evitar que o órgão genital desapareça mesmo após ter sido tocado por um indivíduo de entre os que supostamente estão nessa missão para fins ainda desconhecidos.
A borracha que antes era apenas para agentes económicos hoje está a custar cinco Meticais em diferentes pontos da província de Cabo Delgado, enquanto o alfinete que custava dois Meticais hoje custa 10 meticais. (Carta)





