A Polícia da República de Moçambique (PRM) garante ter apreendido mais de 70 toneladas de peças e acessórios de viaturas, que foram roubados em diversos cantos da província e cidade de Maputo. A garantia foi dada este sábado, após uma operação policial que escalou os mercados Estrela Vermelha e a Praça de Touros, dois dos principais mercados negros de venda de peças e acessórios de viaturas, na cidade de Maputo.
Segundo a PRM, a apreensão resultou de um trabalho prévio de mapeamento dos principais locais de venda de produtos de roubo, realizado pela corporação, em coordenação com os Tribunais, que emitiram os competentes mandados de busca e apreensão. A operação da Polícia, realizada em conjunto com o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), escalou também o município da Matola, província de Maputo, concretamente, a zona do Majugar, na Avenida das Indústrias.
Leonel Muchina, porta-voz da PRM, a nível do Comando-Geral, afirmou que a rusga policial foi precedida de um levantamento detalhado dos pontos de comercialização de peças de proveniência duvidosa. “Houve um mapeamento em relação àqueles que se propuseram a revender peças e acessórios objecto de furto. Todo o trabalho foi previamente feito, mapeado e justificado por mandados de busca e apreensão”, explicou.
A intervenção, garante a corporação, visava desactivar redes de comercialização de peças supostamente roubadas, numa altura em que aumentam queixas de automobilistas sobre o furto de acessórios em viaturas estacionadas na via pública. Aliás, diariamente têm sido partilhados vídeos amadores a ilustrar casos de roubo de peças na via pública, assim como fotografias de viaturas roubadas em diversos locais da cidade e província de Maputo.
Segundo o porta-voz do SERNIC, Hilário Lole, vários condutores na cidade e província de Maputo têm sido frequentemente vítimas de roubo de piscas, faróis, retrovisores e outros componentes. “Estes bens são posteriormente levados aos mercados para comercialização, razão pela qual foram emitidos mandados de busca e apreensão”, disse, citado pela Agência de Informação de Moçambique. O material apreendido foi encaminhado para a 18.ª Esquadra da PRM, na cidade de Maputo.
No entanto, nem todos poderão reaver os seus pertences, mesmo que estes tenham sido recuperados pela Polícia. As autoridades indicam que a recuperação das peças e acessórios está condicionada à denúncia anterior do roubo às autoridades. Isto é, quem sofreu roubo e não apresentou queixa à Polícia não poderá recuperar seus bens, mesmo que estes tenham sido recuperados pela Polícia. Não se sabe qual será o destino das peças e acessórios não reclamados ou cujos proprietários não tenham apresentado queixa à Polícia na altura do roubo.
“Devem ser as pessoas que fizeram participação anterior a legitimar a recuperação do bem. É necessário que tenha havido uma denúncia prévia”, sublinhou Muchina, realçando que a operação resultou ainda na detenção de 15 suspeitos, alguns já com mandados de captura, enquanto outros foram detidos por alegadamente terem tentado criar agitação durante a intervenção policial.
A PRM assegura ainda que este tipo de acções continuará a ser realizado com o objectivo de desencorajar o mercado informal de peças roubadas e reforçar a ordem e segurança públicas na cidade e província de Maputo. (Carta)





