O adolescente de 15 anos de idade, que tirou a vida ao pai, na última terça-feira, na cidade da Matola, província de Maputo, alega ter cometido o crime acidentalmente. A vítima mortal, de nome André Filipe, jurista de 41 anos de idade, era funcionária da Autoridade Tributária. O homicida encontra-se sob custódia policial.
Segundo o seu depoimento, ele estava de regresso a casa por volta das 17h00 quando foi confrontado pelo pai, que o terá repreendido após tentativa fracassada de convencer o seu progenitor que esteve ausente por causa de um trabalho da escola. De acordo com o relato, o pai fechou a porta da sala e começou a agredi-lo com as mãos.
O adolescente, que confessou o crime, assumiu que, após a discussão, o pai entrou no quarto e pegou num fio para o ameaçar. Com receio de ser castigado, fugiu para a cozinha e fechou a porta e agarrou numa faca que estava sobre a mesa.
Ele contou que o pai entrou de forma agressiva na cozinha, levantando a mão, e que, nesse momento, fechou os olhos e acabou por atingi-lo no pescoço. Garantiu que desferiu apenas um golpe e insistiu que não teve intenção de matar. A mãe correu em auxílio do marido, tentando estancar o sangue com um pano, enquanto chorava em desespero. Os irmãos do adolescente assistiram à cena e começaram a gritar.
Quando questionado sobre a relação familiar, o jovem disse que não discutia frequentemente com o pai, mas que este recorria ao fio sempre que queria castigá-lo. Alegou ainda que o pai tinha comportamento violento dentro de casa, agredindo também a mãe e os irmãos. Contudo, os vizinhos relataram que o pai era conhecido por ter “bom comportamento” na comunidade.
Para sustentar a sua versão, o adolescente recordou outro episódio de violência, em que o pai terá batido nele durante a noite, tendo na circunstância se esquecido de trancar a porta. O jovem fugiu para casa de um vizinho, onde o pai, ao confundi-lo no escuro, acabou por agredir o morador e destruir objectos da sala, até ser travado mais tarde pelos vizinhos.
No fim do depoimento, o adolescente declarou sentir-se arrependido pelo sucedido. Acrescentou que a mãe, grávida, presenciou toda a discussão a partir do sofá, juntamente com os irmãos, que não conseguiram intervir. As autoridades continuam a investigar o caso para apurar em que circunstâncias ocorreu o homicídio.





