Moçambique registou uma redução histórica na taxa de mortalidade infantil nas últimas décadas. Entre 1997 e 2023, o número de mortes de crianças menores de cinco anos por cada mil nados vivos caiu de 201 para 60, um marco sem precedentes na história da saúde pública nacional.
Apesar do progresso, o Governo reconhece que ainda há muito por fazer. “Não estamos satisfeitos com 60 mortes por mil nados vivos numa altura em que a província de Cabo Delgado apresenta a maior taxa de mortalidade infantil. O sector da saúde está empenhado em continuar a trabalhar para melhorar estes indicadores”, sublinhou o Director-Geral do Instituto Nacional de Saúde, Eduardo Samo Gudo, em conferência de imprensa alusiva ao anúncio do Fórum Global sobre a Inovação e Acção para a Imunização de Sobrevivência Infantil.
Para alcançar a meta 3.2 dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), Samo Gudo destacou que estão em curso várias iniciativas estratégicas, entre as quais, o programa “Um distrito – um hospital”, a revitalização do subsistema comunitário de saúde e a formação de especialistas em saúde materno-infantil.
“Moçambique tornou-se também no único país africano a contar com laboratórios de saúde pública em todas as províncias. Estes laboratórios vão permitir diagnosticar, de forma descentralizada, diversas doenças da infância e reforçar o combate à mortalidade infantil”, frisou.
“Outra aposta fundamental é o reforço do Programa Alargado de Vacinação, que pretende garantir que todas as crianças moçambicanas tenham acesso às vacinas, uma das principais ferramentas de prevenção e redução de mortes evitáveis”, sublinhou a fonte.
Por outro lado, Samo Gudo observou que, a nível mundial, entre os anos de 1990 e 2023, o número de mortes em crianças menores de cinco anos reduziu de forma expressiva de 12.8 para 4.8 milhões, que corresponde a uma redução de 59%.
Apesar dos avanços globais, cinco milhões de crianças morrem anualmente antes dos cinco anos.
“Este foi um progresso histórico, que se estima ter evitado mais de 160 milhões de mortes entre 1990 e 2023. Em toda a história da humanidade, nunca antes a probabilidade de uma criança sobreviver até aos cinco anos de idade foi tão elevada”, disse Samo Gudo.
Na sua maioria, estas mortes são causadas por doenças evitáveis, tais como malária, diarreias, pneumonias, mal-nutrição, factores obstétricos, entre outras.
Entretanto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que pelo menos 60 países, maior parte dos quais em África, poderão não alcançar a meta 3.2 dos ODS relativamente à mortalidade em crianças menores de cinco anos.
O Fórum Global de Inovação e Acção para Imunização e Sobrevivência Infantil decorre esta terça e quarta-feira em Maputo, um evento que vai contar com a presença de pouco mais de 300 participantes provenientes de 29 países de todos os continentes. (M.A)





