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Maputo -

Actualizado de Segunda a Sexta

21 de July, 2025

Cidadãos denunciam comentador de TV Narciso Paulo por alegada incitação à violência contra a comunidade LGBTQIA+

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Um grupo de cidadãos moçambicanos, composto por activistas e defensores dos direitos humanos, apresentou uma participação-crime à Procuradoria da Cidade de Maputo, no passado dia 4 de Julho, contra o comentador de televisão Narciso Paulo, por este ter proferido declarações públicas que, alegadamente, incitam à violência, discriminação e ódio contra pessoas da comunidade LGBTQIA+ (lésbicas, gays, entre outros).

De acordo com um documento a que “Carta” teve acesso, a denúncia refere-se a uma série de intervenções, sendo a última realizada durante a sua participação num programa televisivo transmitido no dia 3 de Junho do presente ano. Nesse programa, diz a queixa, abordava-se o tema “Homossexualidade – Orientação Sexual ou Problema Espiritual?” e o comentador terá afirmado: “os pais devem, primeiro, dar uma boa porrada porque a porrada é um dos meios de comunicação muito flexível… Todos nós crescemos na base da porrada para poder ouvir, e só depois sentar com ele e perguntar por que é que faz isso”.

O comentador disse também que “os pais devem fazer entender aos filhos homossexuais que isso é uma doença, só aí podem levá-los ao pastor… Quando um pastor vê um gay a entrar na sua igreja, deve chamá-lo e perguntar o que ele vai fazer na igreja”.

Para os denunciantes, estas declarações não são apenas infelizes, mas violam frontalmente a Constituição da República, bem como o Código Penal, atentando gravemente contra a dignidade, integridade e segurança das pessoas LGBTQIA+. Sublinham ainda que, entre os conteúdos mais preocupantes, são de destacar as afirmações que incitam directamente à agressão física contra jovens homossexuais, assim como discursos abertamente discriminatórios e transfóbicos, que expõem esta população ao escárnio, marginalização e risco de violência real.

Além da queixa submetida à Procuradoria da Cidade de Maputo, os denunciantes solicitam uma indemnização civil, cujo montante deverá ser revertido em acções de educação pública em direitos humanos, com vista a fomentar uma cultura de respeito, inclusão e dignidade para todas as pessoas.

Reagindo às acusações, o comentador de televisão, Narciso Paulo, alegou que a comunidade LGBTQIA+ fez uma má interpretação da sua intervenção. “Eu não disse que as pessoas devem espancar os homossexuais na rua. Eu disse que um pai tem o direito de educar o seu filho por meio da porrada. E isso é bíblico. Temos a Lei da Família que serve para preservar os valores principais da nossa sociedade, como a moralidade. Quando falamos de família, sabemos que essa família é composta por um homem e uma mulher. Para a nossa sociedade, isso [a homossexualidade] não é normal. Eu sou contra essa prática dos gays e dos homossexuais porque é algo imoral para a nossa sociedade”.

Narciso Paulo frisou também que em nenhum momento incitou à violência. “Até porque, no mesmo programa, eu disse que não é para encontrarem um homossexual na rua e espancarem. Mas eles devem esconder essa prática, porque é imoral”.

O comentador referiu que suspeita da existência de interesses ocultos por detrás da queixa, afirmando que ainda não foi notificado, mas afirmou que a sua imagem e nome já foram usados para manchar a sua reputação.

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