O ex-candidato presidencial e Presidente do partido Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA), Venâncio Mondlane, denunciou, no sábado, o assassinato de um membro da sua formação política, ocorrido no distrito de Mopeia, no sul da província da Zambézia.
Numa publicação feita na sua página oficial do Facebook, Venâncio Mondlane revela que a vítima, de nome Araújo Tendence, era mobilizador do ANAMOLA naquele distrito. Dados recolhidos pela “Carta” indicam que Araújo Tendence foi assassinado na sua residência por volta das 18h30m de sexta-feira. Até ao momento, não são conhecidos os autores do crime e muito menos as suas motivações, mas suspeita-se que os assassinos sejam membros da Polícia da República de Moçambique (PRM).
Tendence é o segundo membro do ANAMOLA a ser assassinado em menos de um mês. Em Setembro último, lembre-se, a vítima foi um mobilizador daquele partido em Morrumbene, na província de Inhambane. A vítima, de nome Ilídio Facitela Gustavo, foi encontrado morto após ter sido sequestrado por indivíduos ainda desconhecidos.
Até ao passado dia 16 de Setembro, o ANAMOLA contabilizava 57 membros assassinados em todo o país por alegados motivos políticos. Até àquela data, nenhum dos crimes tinha sido esclarecido pelas autoridades.
Na publicação feita no sábado, Venâncio Mondlane denuncia também o sequestro e tortura física brutal de um quadro do ANAMOLA, no Distrito Municipal da KaTembe, na Cidade de Maputo, de nome Cândido António.
Numa carta aberta ao Chefe de Estado, o académico e activista social Adriano Nuvunga exige uma investigação independente do assassinato de Araújo Tendence, defendendo que “nenhum moçambicano deve morrer por participar na política”. Nuvunga diz ser obrigação do Estado proteger os membros da oposição.
“Senhor Presidente, condene este homicídio em ambiguidades. Garanta segurança para a participação política. O diálogo nacional exige cidadãos livres do medo; a reconciliação exige verdade e justiça”, diz Nuvunga, para quem Moçambique não se pode habituar a enterrar opositores e sem quaisquer consequências.





