O Governo vai vender 66% de acções detidas pelo Estado na empresa Moçambique Telecom (Tmcel). Para o efeito, o Executivo autorizou, esta terça-feira, o Ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga, a constituir uma Equipa Técnica para negociar os Termos e Condições para a Alienação das Acções do Estado na Tmcel, por via de Negociação Particular.
“O que se precisa com a Tmcel é vender parte das acções. Neste caso, em particular, se a memória não atraiçoa, o Estado detém 66% das acções da Tmcel e o Instituto de Gestão das Participações do Estado cerca de 26% e 8% faz parte até dos próprios funcionários da empresa”, explicou o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, após a 24ª Sessão Ordinária do Conselho de Ministros.
O governante detalhou que, com a venda, pretende-se dar uma maior dinâmica à empresa, que actualmente se encontra numa situação económica e financeiramente frágil. “O Estado, como titular de parte das acções da Tmcel, poderá desfazer-se delas ou poderá entregar a um terceiro. Este é um dos mecanismos que o Estado encontrou para revitalizar, dar um pouco de mais vitalidade, até para a Tmcel continuar a prestar o serviço crítico de comunicações ao nível do país”, disse Impissa, respondendo a perguntas de jornalistas.
Os Dados do Relatório e Contas da Tmcel, referentes ao ano de 2024, indicam que a empresa obteve um prejuízo de 4.4 mil milhões de Meticais naquele ano, valor que representa mais que o dobro do prejuízo registado em 2023, em que a companhia contabilizou um resultado negativo de 2 mil milhões de Meticais.
Em 2024, a Tmcel apresentou ainda um capital próprio negativo de 14.5 mil milhões de Meticais, devido aos prejuízos acumulados negativo de 28.6 mil milhões de Meticais, contra 24 mil milhões de Meticais registados em 2023 e um passivo corrente que excede o activo corrente no valor de 19.7 mil milhões de Meticais, contra 18.3 mil milhões de Meticais de 2023.
Por causa desse balanço, o auditor independente, a Ernst&Young, manifestou incerteza quanto à continuidade das operações da Tmcel no futuro, caso o accionista principal, o Estado, não intervenha para reverter aquela situação de falência técnica da empresa.
Lembre-se que a Tmcel foi criada em 2018, em resultado da fusão entre a Telecomunicações de Moçambique (TDM) e a Moçambique Celular (Mcel), que na altura se encontravam em falência técnica. A fusão das duas empresas moribundas, sublinhe-se, foi tomada pelo Governo em oposição à venda das acções da Mcel à gigante sul-africana, MTN.
Com a fusão, o Governo esperava a modernização e inovação tecnológica da empresa, que se deviam traduzir na oferta de produtos e serviços de telefonia fixa, móvel, comunicações por satélites, serviço de dados, de transmissão e recepção de sinais de rádio e televisão, capazes de “ressuscitar” a empresa, mas esse desiderato nunca foi concretizado.





