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27 de March, 2026

Raptos na RSA: Casa de Esmael Nangy serviu de cativeiro do empresário Jerry Boshoga – diz sargento sul-africano

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O suposto líder de raptos moçambicano Esmael Nangy terá usado a sua casa como cativeiro do empresário sul-africano Jerry Boshoga, que está desaparecido desde 18 de Novembro de 2024, admitiu, há dias, Fannie Nkosi, um sargento da Unidade Contra o Crime Organizado da Polícia Sul-Africana.

Nkosi, que está suspenso da Polícia, admitiu que tomou conhecimento de que Nangy cedeu a sua residência, em Midstream, Centurion, África do Sul, como cativeiro de Boshoga, em depoimentos que prestou à Comissão de Inquérito Judicial Madlanga, que investiga a “captura do sistema de justiça criminal sul-africano pelo crime organizado”.

O paradeiro do empresário moçambicano não está claro, mas é dado como foragido, depois de não ter comparecido a uma audiência judicial no final de 2025, no Tribunal de Kwaduduza, na África do Sul, para um interrogatório sobre o rapto do empresário Zakariyya Desai. Esmael Nangy faltou ao interrogatório, quando aguardava em liberdade investigações relacionadas com casos de rapto em Moçambique e na África do Sul.

Questionado pela Comissão de Inquérito Judicial Madlanga sobre alegações de que Nangy cedeu a sua habitação para servir de cativeiro de Jerry Boshoga, Fannie Nkosi declarou que está “consciente da alegação”.

Boshoga terá sido transferido para a casa do suposto líder de raptos moçambicano pelo empresário sul-africano Vusimuzi “Cat” Matlhala, um alegado membro de um cartel criminoso acusado de envolvimento em crimes de rapto. “Cat” Matlhala transferiu Jerry Boshoga, depois de ter sido informado por elementos da polícia de que a sua residência seria alvo de buscas, o que aconteceu a 06 Dezembro de 2024.

Durante o depoimento, o sargento Fannie Nkosi negou que tenha informado Matlhala sobre as buscas realizadas na residência deste. Admitiu, contudo, ter dito ao empresário que a polícia pretendia interrogá-lo sobre casos de rapto de homens de negócios que assolam a África do Sul.

Adiantou que um capitão da Polícia, chamado Ramagwa, lhe disse, no dia 04 ou 05 de Dezembro, que pretendia interrogar “Cat” Matlhala sobre o caso de Boshoga. “Foi nessa altura que disse a Cat: ‘Morena, és precisado no nosso escritório. Tens que ser interrogado’”, afirmou.

Antes dos depoimentos de Nkosi, o major-general Lesetja Senona disse à aludida Comissão de Inquérito Judicial Madlanga que Esmael Nangy vivia perto da casa de ‘Cat’ Matlala. Nkosi é considerado um intermediário entre o comissário nacional-adjunto da polícia Shadrack Sibiya, suspenso da corporação, e cartéis de crime.

Outras testemunhas ouvidas pela comissão disseram que quando uma equipa da contra-inteligência chegou à residência de “Cat” Matlala, este empresário relatou que tinha relações com oficiais superiores da Polícia, que lhe informaram sobre as buscas. Fannie Nkosi alegou que iniciou contactos com Matlala, na sequência de um caso de rapto de uma mulher e do seu filho, em Copperleaf, Pretoria.

A comissão indagou Nkosi sobre um “email” que enviou a um jornalista em que questionava sobre os laços entre Esmael Nangy, Cat Matlala e Shadrack Sibiya. O sargento respondeu que teve um “email” sobre Nangy, que Sibiya recebeu de um jornalista e que devia ser enviado a “Cat” Matlala.

Acusações infundadas

Esmael Malude Ramos Nangy, 53 anos, cidadão moçambicano residente na África do Sul, foi preso em 08 de Janeiro de 2023, em Centurion, Pretória, numa operação levada a cabo pela Interpol. A prisão seguiu-se a um mandado de captura internacional, emitido em Julho de 2022 pelas autoridades moçambicanas.

De acordo com a nota, ele foi preso, depois de uma denúncia anónima sobre a sua possível localização, alegando-se que ele se deslocava frequentemente entre Gauteng, Cidade do Cabo e Moçambique. As informações indicaram uma possível localização em Pretória, na qual ele foi depois identificado.

Rico Nangy, como também era chamado, foi encontrado com uma Pistola CZ 9mm, licenciada, e um magazine, Revista, cartuchos de 14×9 mm, cinco celulares, vários cartões bancários para bancos sul-africanos, vários Sim Cards locais e internacionais, roteadores Wi-Fi com cartões SIM, um PC de mesa, dispositivo USB e uma carta de condução de Moçambique.

Uma fonte policial em Maputo disse à “Carta” que Nangy é apenas um suspeito de um caso de rapto ocorrido em 2022 na capital moçambicana, na sequência do qual uma sua viatura foi apreendida por alegada semelhança com a viatura captada por câmaras de vídeo vigilância no local do alegado sequestro.

A nota emitida no quadro da sua detenção em Centurion diz que ele foi identificado como sendo o líder de uma quadrilha de sequestro transnacional para resgate, que está em operação desde 2018.

Nangy é procurado pelas autoridades moçambicanas por alegadamente orquestrar o rapto de ricos empresários de Moçambique e da RAS. Através do seu advogado na África do Sul, Calvin Maile, Nangy disse ao tribunal que as acusações contra ele eram “infundadas e sem qualquer verdade”.

“O mandado de prisão moçambicano afirma que sou procurado em Moçambique desde Junho de 2022, quando a minha prisão foi decretada. Já viajei inúmeras vezes a Moçambique a negócios, em 2022, inclusive em Dezembro, e sempre pude retornar à SA. Nenhuma vez fui parado e preso, apesar de passar por postos oficiais de fronteira”, afirmou na altura.

Maile disse que Nangy era um empresário respeitado, que tinha um negócio de transportes bem estabelecido operando na África do Sul e em Moçambique. Disse que Nangy tinha uma empresa chamada Trans Nangy, com a sua empresa irmã, a Trans Nangy LDA, sediada em Moçambique. “Ele ganha um salário mensal entre 50.000 e 100.000 randes nos seus negócios. Ele pode pagar uma fiança de 50 mil randes”, declarou.

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