Está instalada uma “guerra” na cidade de Quelimane, entre a Edilidade e a Procuradoria Provincial da Zambézia, com o Edil da capital daquela província, Manuel De Araújo, a acusar aquele órgão do Ministério Público de perseguição e inviabilização das actividades da edilidade.
Segundo Manuel de Araújo, a Procuradoria Provincial da Zambézia está a “trabalhar mal”. O autarca afirma que, até semana passada, tinha no seu gabinete de trabalho 25 intimações do Ministério Público. “Tenho, na minha mesa, cerca de 25 processos da Procuradoria Provincial da Zambézia. A minha pergunta é: quantos processos tem Mocuba? Quantos tem Gurué? E Milange? Será que lá não há Procuradoria? A única Procuradoria que existe é aqui?”, questionou.
De Araújo, que falava a jornalistas na última sexta-feira, considerou que a intervenção do Ministério Público é excessiva na cidade que dirige, comparativamente com os restantes municípios da província, como é o caso de Mocuba, gerido pela Frelimo.
“Aqui, quando as pessoas vendem na rua, dia seguinte, a Procuradoria vem ter connosco. Eu estive na cidade de Maputo, nem sei se posso falar de avenidas, tantas e tantas, estão lá pessoas a vender e a sede da Procuradoria está no Maputo, mas a Procuradoria da Zambézia é mais que outra Procuraria”, defendeu Manuel De Araújo, eleito Edil pela lista da Renamo, o principal e histórcio opositor da Frelimo, o partido no poder.
Por sua vez, o Procurador-chefe provincial da Zambézia, Freddy Jamal, negou haver perseguição a Manuel de Araújo e às actividades do município. Jamal defende que a sua actuação é legal e visa salvaguardar o interesse público.
“Nós temos uma área de interesses colectivos e difusos. Eu acho que o município devia até abraçar esta iniciativa, porque é uma área cuja tarefa exclusiva é apoiar o ordenamento territorial, o comércio informal e a higiene nos mercados. E nós, como Ministério Público, defensores da legalidade e dos interesses colectivos e difusos, não podemos ficar impunes”, justificou.
Jamal disse ainda que não irá recuar, prometendo intervir sempre que houver motivos para tal. “Vamos continuar a apertar, porque o que nós queremos é o bem-estar. Estamos na época chuvosa e podemos ter cólera e doenças tropicais. É preciso protegermos o direito de todos os cidadãos. Não estamos à procura de ninguém, estamos a defender interesses”.
O magistrado do Ministério Público acrescentou que “as mesmas acções que são levadas a cabo no município de Quelimane são levadas a cabo nos municípios de Milange, Gurué, Alto-Molócuè e Maganja da Costa são as mesmas.”





