Tal como os partidos da oposição com assento parlamentar (Renamo e Movimento Democrático de Moçambique), a Nova Democracia (ND), uma das novas forças políticas nacionais, defende a intervenção militar estrangeira no combate aos ataques terroristas, na província de Cabo Delgado.
Em comunicado de imprensa enviado à “Carta”, aquela formação política entende que o Governo moçambicano deve aceitar a proposta avançada pela Missão Técnica da SADC (Comunidade de Desenvolvimento da África Austral) de enviar, de “imediato”, 2.916 militares para ajudar as Forças de Defesa e Segurança (FDS) no combate aos grupos terroristas que, há mais de três anos, semeiam luto e dor em alguns distritos da província de Cabo Delgado.
Segundo a Nova Democracia, o Executivo de Filipe Jacinto Nyusi deve aceitar a proposta da SADC, enquanto adopta um plano triangular: deixar a operação dos três mil homens actuar; treinar as forças nacionais; e, gradualmente, a médio prazo retirar as forças estrangeiras.
Para o partido liderado por Salomão Muchanga, insistir em pedir “ajuda logística e táctica” para combater o terrorismo é sinónimo de irresponsabilidade, pois, “esta posição faria sentido se estivéssemos em fase de incubação do conflito”.
“Dentre muitas estratégias falhadas para estancar a corrente desta situação que rouba a paz e o sono dos moçambicanos e do mundo, nota-se um orgulho e falta de vontade política por parte daqueles que deveriam tudo fazer para que se pusesse um fim a este terror”, considera aquela formação política, para quem não se pode esperar que a guerra termine “sem que haja uma intervenção lúcida e séria por parte dos governantes”.
“Os três mil homens podem actuar porque, propostos pela SADC, conhecem muito bem a região e julgamos estarem em altura de prestar uma ajuda militar de que o nível de combate precisa”, acrescenta, sublinhando que o treinamento das FDS visa garantir a defesa da soberania no futuro.
Refira-se que a proposta da Missão Técnica da SADC devia ter sido submetida ao Comité Ministerial do Órgão da Política de Defesa e Segurança da SADC, cuja reunião extraordinária estava agendada para o passado dia 28 de Abril, porém, foi adiada para uma data ainda a anunciar.
Para além dos cerca de 3.000 homens, a proposta inclui o envio, para Moçambique, de dois navios de patrulha, um submarino, um avião de vigilância marítima, seis helicópteros, dois drones e quatro aviões de transporte. (Carta)





