Um grupo de transportadores semi-colectivos que opera em diversas rotas no município da Matola, província de Maputo, anunciou a sua desvinculação da Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO) e exige ao Governo a retirada da organização do processo de intermediação dos subsídios aos transportadores.
O posicionamento foi apresentado esta terça-feira pela RECAV (Rede de Transportadores Colaborativos), numa conferência de imprensa, na qual a organização acusou a FEMATRO de falta de transparência na gestão dos interesses da classe transportadora.
Segundo a RECAV, entre 2011 e 2017, o Governo canalizou subsídios de compensação aos transportadores, avaliados em cerca de Mil milhões de Meticais. Contudo, grande parte dos operadores nunca se beneficiou destes apoios. “Questionamos onde foram aplicados estes valores e quantos operadores realmente beneficiaram dos subsídios”, perguntou o grupo, exigindo uma auditoria independente aos fundos atribuídos à FEMATRO durante aquele período, alegando existirem dúvidas sobre a gestão e canalização dos recursos.
Além da auditoria aos subsídios anteriores, os transportadores exigem maior transparência no processo, incluindo esclarecimentos sobre as taxas cobradas diariamente nos terminais, incluindo joias e contribuições associativas.
Segundo a RECAV, milhares de viaturas contribuem diariamente com cerca de 50 Meticais, o que poderá representar uma arrecadação superior a três milhões de meticais por mês. “Queremos saber qual é a finalidade destes valores e quais os benefícios concretos para os transportadores”, questionam, defendendo a suspensão imediata do pagamento de taxas e joias cobradas nos terminais de passageiros em nome de associações ligadas à FEMATRO.
O grupo apela a todos os operadores que não se sentem representados pela organização a aderirem à iniciativa, descrita como “pacífica e legal”. Os transportadores afirmam estar disponíveis para dialogar directamente com o Governo, através de uma comissão criada por representantes de vários terminais da região metropolitana de Maputo. “Estamos abertos ao diálogo, mas não queremos continuar a ser representados por uma organização que não defende os nossos interesses”, defendem.
FEMATRO rejeita acusações
Em resposta, o Presidente da FEMATRO, Castigo Nhamane, rejeitou as acusações, dizendo que a Federação que dirige não possui membros individuais. “O membro da FEMATRO não é o transportador individual. São associações de transportadores”, explicou.
Nhamane afirma ainda não conhecer os representantes que fizeram as acusações públicas e garante que os “verdadeiros membros” da FEMATRO estavam presentes na reunião. Aliás, defende que a FEMATRO é pela atribuição de subsídios aos operadores licenciados, num mercado dominado pela informalidade.
Refira-se que Castigo Nhamane é Presidente da FEMATRO há 12 anos (foi eleito em 2014), tendo substituído o falecido Rogério Manuel, antigo Presidente da CTA, do cargo. No cargo há vários anos, muitos associados entendem que o “empresário” não tem legitimidade para conduzir o processo.

