Apesar de várias críticas, o Metical poderá, em Janeiro próximo, começar a ser utilizado como moeda de referência (divisa) em pagamentos dentro dos países da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), através do Sistema de Transferência e Liquidação Interbancária em Tempo Real (RTGS, sigla em Inglês). A informação precisa foi dada, há dias, pelo Governador do Banco de Moçambique, Felisberto Navalha, semanas depois de avançada pela Vice-Governadora, Benedita Guimino.
“A RTGS é uma plataforma regional que já está a funcionar. Está sediada na África do Sul, no Banco Central daquele país. Neste momento, o Rand e o Kwanza de Angola já estão integrados na plataforma. Nós, como país, prevemos, mais tardar, princípios do próximo ano, também começarmos a operar. (…) acreditamos que no primeiro mês do próximo ano já estaremos integrados na plataforma”, disse Navalha.
Segundo o Governador do Banco de Moçambique, a plataforma vai diminuir o custo e tempo das transações e dinamizar o comércio na SADC. “Nesta plataforma, o cliente vai ao seu banco, para liquidar uma factura na África do Sul, a transação ocorre de imediato, na sua conta em Meticais é debitado, e faz-se a liquidação via RTGS da SADC. Então, diminui bastante o tempo de transação, reduz o custo de transação e praticamente torna o comércio regional cada vez mais fluído”, disse o novo homem forte do Banco Central.
Navalha explicou que, sendo uma iniciativa da SADC, a intenção é que a plataforma seja usada para todos os países membros. Neste momento, os países vão aderindo paulatinamente, sendo que, para além da África do Sul, o primeiro a aderir foi Angola, que já está, deste mês passado. É nesse contexto que Moçambique não vai ficar atrás.
Segundo Navalha, a integração do Metical decorrerá em duas fases, mas só anunciou uma. “A primeira é a integração, e depois colocar os Meticais necessários para a compensação que será feita junto do gestor da plataforma que está na África do Sul. Depois haverá uma segunda fase, mas não vale a pena pré-anunciar, quando chegar o momento, tomarão conhecimento”, disse o gestor.
A informação foi inicialmente anunciada pela Vice-Governadora do Banco de Moçambique, Benedita Guimino, aquando da tomada de posse, no dia 04 de Setembro. Entretanto, dias depois houve quem criticou a pretensão, entendendo que, para uma moeda nacional tenha uso transacional a nível internacional, ela precisa de cumprir um conjunto de condições macroeconómicas, políticas e institucionais.
Destacou a estabilidade económica e poder de compra. Nesse aspecto, a fonte que falou na condição de anonimato explicou que “nenhum agente internacional aceitará uma moeda que desvaloriza rapidamente, pois, a estabilidade económica garante previsibilidade a longo prazo”.
Apontou também que, para ser transacional, a moeda tem de estar disponível em grande escala e ser fácil de comprar ou vender a qualquer momento. “O país emissor deve ter uma quota significativa no comércio global e um Produto Interno Bruto (PIB) expressivo”, mas Moçambique é o segundo país mais pobre do mundo.
Não menos importante, a fonte apontou a convertibilidade total da moeda (ausência de controlos de capital). Deu exemplo do Yuan da China, que apesar de pertencer à segunda maior economia do mundo, vê o seu uso transacional internacional limitado pelo forte controlo que o Banco Popular da China ainda exerce sobre a saída de capitais e a taxa de câmbio.





