O novo Governador do Banco de Moçambique, Felisberto Navalha, mostrou-se optimista quanto ao alcance, em breve, de um novo acordo, entre Moçambique e o Fundo Monetário Internacional (FMI). “A nossa expectativa é boa. Estamos na esperança de que, muito em breve, o país possa voltar a conviver na praça internacional, graças a um programa com Fundo, e assim ter mais acesso a fundos externos para apoiar o país”, disse Navalha.
Respondendo a perguntas de jornalistas após anunciar as decisões do Comitê de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique, o gestor explicou que o programa com o FMI, é tão necessário para o país e para o Banco de Moçambique, particularmente por causa do seu efeito catalítico.
“O efeito catalítico é no sentido em que, havendo o programa, podemos ter acesso a outras fontes de financiamento externo. E o financiamento externo é uma fonte que nos pode ajudar a resolver alguns problemas, entre eles, a questão do défice fiscal, mas também, por ser externo, ele vem na forma de divisas. Vindo na forma de divisas, pode reforçar o nosso fundo cambial e aí podermos atender cada vez mais necessidades que a economia apresentar”, explicou Navalha.
Para que se chegue a um novo acordo, o Governador do Banco de Moçambique disse que o regulador do Sistema Financeiro Nacional e o Ministério das Finanças estão a empenhar-se para que Moçambique possa embarcar num programa com o FMI, dentro, obviamente, dos condicionalismos que o país possa suportar. “Porque, se forem condicionalismos que não permitam dar aquilo que é autonomia, soberania e até alguma folga para implementar algumas reformas, será necessário continuar a negociar até que tenhamos um programa de equilíbrio”, ressalvou o gestor.
Sobre a última Missão do FMI que visitou o país, de 09 a 18 de Setembro último, Navalha disse que foi bastante produtiva. O gestor fez saber que a Missão diagnosticou a situação macroeconómica do país, fez algumas recomendações do que o país pode fazer no curto e médio prazo. “Como membros do FMI, acreditamos na boa-fé da instituição, mas, acima de tudo, o Governo também tem as suas perspectivas que apontam para uma necessidade de se avançar para um programa com o Fundo”, acrescentou Navalha.
Refira-se que o CPMO do Banco de Moçambique decidiu manter a taxa de juro de política monetária, taxa MIMO, em 9,25% e alterar o regime de reservas obrigatórias a partir do próximo período de constituição, devido à prevalência de elevados riscos e incertezas quanto ao impacto dos choques climáticos e do prolongamento das tensões geopolíticas no Médio Oriente e na Europa.
O novo regime de reservas obrigatórias, com a duração de 18 meses, permitirá a dedução, na componente em moeda nacional, do montante correspondente aos novos financiamentos concedidos pelo sistema bancário às empresas que contribuam para a substituição de importações e/ou para o aumento das exportações. A taxa de juro a ser aplicada será a taxa MIMO, podendo ser acrescida de uma margem de 150 pontos base, conforme a finalidade.





