O Banco Comercial e de Investimento (BCI) poderá começar a cotar-se na Bolsa de Valores de Moçambique (BCI), a partir do próximo ano. A cotação consistirá na venda de cerca de 36% do BCI, detidas pelo Banco Português de Investimento (BPI), agora propriedade do banco espanhol CaixaBank.
A informação foi avançada, há dias, pelo Presidente do Conselho de Administração (PCA) da BVM, Pedro Cossa, em exclusivo à “Carta de Moçambique”. “Estamos em crer que, no próximo ano, sem dúvida alguma, esta operação vai ser realizada”, afirmou Cossa.
Para a materialização da operação, o PCA da BVM explicou que, neste momento, o grupo português Caixa Geral de Depósitos (CGD), maior accionista do BCI, está a avaliar os activos para a determinação do preço de cada acção. “A própria Caixa Geral de Depósitos, o próprio BCI, está neste momento a trabalhar na avaliação dos activos. Com base na avaliação dos activos, aí já poderemos saber quanto vale cada acção. São passos necessários, que têm de ser dados. E depois vamos poder, sem dúvida alguma, anunciar com datas concretas aos moçambicanos, quando é que a operação vai poder acontecer”, explicou o PCA da BVM.
Falando à margem da XXIIª edição do Economic Briefing da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Cossa garantiu que a cotação do BCI irá acontecer, visto que, depois de o BPI anunciar a sua saída de Moçambique, em Maio passado, “houve uma reunião entre o Presidente da República de Moçambique [Daniel Chapo] e o Presidente da Comissão Executiva da Caixa Geral de Depósitos [Paulo Macedo], onde este veio confirmar e reafirmar esta posição de que estas acções vão ser transacionadas para os moçambicanos, os cerca de 36%, de forma faseada, uma parte para pessoas singulares, outra parte para pessoas colectivas”.
Em relação ao impacto económico da operação, o PCA da BVM frisou, primeiro, que o mais importante é que os moçambicanos vão ter a oportunidade de ser detentores de cerca de 36% do BCI. “O segundo aspecto é que estamos a dizer que 36% dos lucros que saiam vão ficar em Moçambique. Do ponto de vista de divisas também é um ganho muito grande. O que nós devemos fazer é apoiar a iniciativa e continuar a trabalhar com o BCI e com a Caixa Geral de Depósitos, na definição de um cronograma”, acrescentou o gestor.
O BCI foi o maior banco de importância sistémica de Moçambique em 2025. Tem um capital social de 10 mil milhões de Meticais, dos quais 51% detidos pela Caixa Participações, do grupo CGD, 35,67% do BPI e 10,51%, detidos directamente pela CGD, entre outros. No ano passado, o lucro do BCI foi de 3.6 mil milhões de Meticais.
O BCI poderá ser um dos primeiros bancos a cotar-se na BVM, desde a sua criação há 28 anos. Além do BCI, a BVM fez saber que o Standard Bank Moçambique (de origem sul-africana) também pondera cotar-se em bolsa.

