Dois altos executivos da estatal Companhia Nacional de Petróleo do Malawi (NOCMA na sigla em inglês), estão detidos em conexão com o roubo de 403 mil dólares protagonizado por cibercriminosos em Abril deste ano. O caso culminou com a transferência do valor para uma conta bancária em Moçambique, sob pretexto de pagamento de taxas de carregamento e desembaraço aduaneiro de combustível nos portos da Beira e de Nacala.
Os suspeitos, Miklas Reuben, vice-director executivo e Thokozani Sesani, gerente sénior de operações já estão sob custódia policial, acusados de negligência.
A NOCMA admite ter sido enganada e ter enviado 403 mil dólares para uma conta fraudulenta depois que criminosos supostamente interceptaram comunicações por email com a Mozhandling Limited, empresa moçambicana que lida com remessas de combustível no Porto de Nacala.
A companhia afirma que os defraudadores interceptaram emails oficiais e se fizeram passar por funcionários da Mozhandling, fornecendo novos dados bancários, juntamente com uma carta de confirmação falsificada do Bank of America.
Acreditando que a comunicação era genuína, a NOCMA instruiu o Banco Nacional do Malawi a efectuar o pagamento, em 29 de Abril deste ano, enviando, sem saber, o dinheiro directamente para as mãos de criminosos.
A fraude só foi descoberta cerca de duas semanas depois, quando o legítimo representante da Mozhandling contactou a NOCMA para perguntar sobre o pagamento pendente.
O pagamento referia-se aos serviços prestados pela Mozhandling no processamento do MT Flora, um navio que transportou 15,1 milhões de litros de combustível para o Malawi, através do Porto de Nacala.
Segundo o superintendente Alfred Chimthere, porta-voz da Polícia do Malawi, a transacção, realizada em Abril, tratou-se efectivamente de cibercrime envolvendo intercepção de comunicações por email e dados de fornecedores falsificados.
Investigações subsequentes das autoridades policiais levaram à prisão dos dois altos funcionários da NOCMA, que agora enfrentam várias acusações, incluindo negligência no manuseio de fundos públicos e abuso de poder, entre outros crimes relacionados.
Os investigadores continuam a rastrear o fluxo de transacções enquanto os suspeitos permanecem sob custódia policial, sendo que brevemente serão levados a um tribunal para responder às acusações.
Algumas fontes consideram o escândalo um dos roubos digitais mais embaraçosos do sector público do Malawi.
A NOCMA já veio a público reconhecer as fragilidades nos seus sistemas de verificação de pagamentos, afirmando que a introdução do sistema de aquisição de combustível entre governos criou novos procedimentos antes que todos os controlos necessários estivessem totalmente estabelecidos.
A empresa afirma estar a rever os seus sistemas de verificação de pagamentos, após o retorno às licitações abertas para aquisição de combustível. Analistas afirmam que o erro expõe uma perigosa falta de segurança digital num momento em que agências estatais são cada vez mais visadas por ciber-criminosos sofisticados.





