A Empresa Moçambicana de Seguros (EMOSE) registou um resultado líquido positivo de 20,23 milhões de Meticais em 2025, contra 368,10 milhões de Meticais obtido em 2024, o que representa uma redução de 94,50%, devido ao fraco desempenho técnico e redução considerável dos rendimentos de investimentos. A informação consta do Relatório e Contas da EMOSE referente a 2025.
O Presidente do Conselho de Administração (PCA) da EMOSE, Janfar Abdulai, explica, no Relatório e Contas, que o resultado obtido em 2025 resultou da conjuntura económica nacional e internacional não muito favorável à actividade seguradora.
A EMOSE aponta, a nível externo, a persistência de desafios económicos e geopolíticos, caracterizados por incertezas nos mercados, pressões inflacionistas e desaceleração do crescimento em algumas economias. Já a nível doméstico, apontou choques climáticos, pressões inflacionárias, crise da dívida pública e desafios no ambiente de negócios.
“Para o próximo ciclo, a nossa estratégia passará pela inovação contínua em soluções digitais que melhorem a experiência do cliente e optimizem os nossos processos internos; sustentabilidade financeira, adoptando práticas de negócio resilientes que nos protejam contra flutuações macroeconómicas; e aposta na responsabilidade social e corporativa, com vista a continuar a gerar valor partilhado, contribuindo para o desenvolvimento das comunidades onde operamos”, assegura Abdulai.
Principais indicadores de desempenho
No exercício económico de 2025, a EMOSE registou um volume de Prémios Brutos Emitidos (PBE) de 3.4 mil milhões de Meticais, correspondendo a um crescimento de 42,82% face ao exercício de 2024. Os custos com sinistros aumentaram 55,30% e os custos administrativos 2,42%, tendo reduzido as comissões de mediação em 35,76%. Face a este cenário, o rácio combinado fixou-se em 84,77%, mantendo-se dentro dos níveis de referência do sector.
A rendibilidade dos capitais próprios (ROE) situou-se em 0,31% e a dos activos (ROA) em 0,09%. Em termos de estrutura financeira, verificou-se uma diminuição da solvabilidade em 7,31 pontos percentuais (pp) e da autonomia financeira (-3,47 pp), acompanhado por um ligeiro aumento do endividamento, na ordem de 3,47 pp.
Em 2025, os encargos com sinistros suportados por aquela empresa, incluindo os custos por natureza a imputar, totalizaram 1.3 mil milhões de Meticais, comparativamente aos 1.1 mil milhões de Meticais do ano anterior, registando um crescimento de 21,14%.
O índice de sinistralidade situou-se em 38,95% contra 31,70% de 2024, correspondendo a um aumento de 7,25 pp. O Relatório e Contas explica que o comportamento dos sinistros, em 2025, foi influenciado, sobretudo, pelo efeito das crises pós-eleitorais e fenómenos climáticos.
No cômputo geral, dados do Banco de Moçambique indicam que o sector de seguros em Moçambique, durante o ano de 2025, passou por uma profunda reestruturação legal e institucional, com o mercado avaliado em mais de 24 mil milhões de Meticais, representando um crescimento de cerca de 4%, motivado pela transformação digital e adaptação a novos riscos climáticos e económicos.





