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14 de August, 2026

Lucro dos CFM cai 600 milhões de Meticais em 2025 devido a descarrilamentos e tensão pós-eleitoral

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A empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) registou, durante o exercício económico de 2025, um lucro de 1.9 mil milhões de Meticais (29.7 milhões de USD), contra os 2.5 mil milhões de Meticais (39 milhões de USD) atingidos em 2024, uma queda de 600 milhões de Meticais (9.3 milhões de USD).

O Conselho de Administração dos CFM, presidido por Agostinho Langa Júnior, explica no Relatório e Contas referente a 2025 que a queda das receitas foi afectada por factores exógenos, como a tensão pós-eleitoral e falta de divisas, bem como factores endógenos, com destaque para mais de uma centena de descarrilamentos nos sistemas ferroviários sob sua gestão.

“Contracção da actividade económica no primeiro trimestre devido à insegurança dos agentes económicos associados às convulsões sociais pós-eleitorais que se arrastaram até o mês de Fevereiro de 2025 caracterizadas pelos bloqueios das vias e saques de estabelecimentos comerciais e a escassez das divisas que afectaram significativamente a importação de combustíveis e outros produtos, tendo influenciado negativamente o transporte ferroviário e o manuseamento portuário de mercadorias”, lê-se no Relatório e Contas dos CFM.

Para a redução dos resultados da actividade ferro-portuária em 2025, os administradores dos CFM apontam também os factores endógenos associados a acidentes ferroviários a destacar: 104 descarrilamentos, sendo 43 no sistema ferroviário sul e 61 na região centro, que danificaram aslinhas com prejuízos avaliados em cerca de 512 milhões de Meticais.

“Apesar dos aspectos negativos arrolados acima, no sistema ferroviário global, foram transportadas cerca de 29.6 milhões de toneladas líquidas (82% do plano), que correspondem a um crescimento de 8% relativamente ao período homólogo de 2024”, referem os administradores dos CFM no Relatório que temos vindo a citar.

Durante o período em análise, nas linhas sobre a gestão directa dos CFM, foram transportadas 14.3 milhões de toneladas líquidas, contra 15.9 milhões de toneladas planificadas, o que corresponde a uma realização de 90% em relação ao plano e um crescimento de 11%, comparativamente a igual período do ano transacto, período em que foram transportadas 12.8 milhões de toneladas líquidas.

Em termos de transporte de passageiros, apesar da paralisação dos comboios de passageiros no mês de Janeiro, no corredor Sul e Centro, a empresa transportou 5.5 milhões de passageiros contra 6.6 milhões do plano, que corresponde a uma realização de 85% e uma redução de 18%, quando comparado ao período homólogo.

A área portuária, sob ponto de vista global, registou um nível de execução de 89% do plano e um incremento de 4% em relação à realização do igual período do ano anterior, ao manusear 68,8 milhões de toneladas métricas (mtm), contra 76.9 mtm planificados e 66.4 mtm registadas no igual período de 2024. Para os terminais portuários sob gestão dosCFM, foram manuseadas durante este período cerca de 13.2 mtm, contra 15.3 mtm manuseadas em 2024, o que representa uma redução na ordem de 14%, comparativamente a 2024.

A empresa CFM diz que tem estado a empreender esforços na renovação e revitalização dos seus activos, de modo a dar mais eficiência operacional e aumento da sua capacidade de produção. Para tal, durante o exercício de 2025, investiu 3.2 mil milhões de Meticais (51.4 milhões de dólares) em projectos ferro-portuários, o que corresponde a um nível de execução de 58% do orçamento aprovado.

“Relativamente à componente social, continuamos a prestar um serviço público de transporte ferroviário de passageiros, com segurança e qualidade, nas zonas urbanas, peri-urbanas e de longo curso, bem como prosseguimos o suporte à Transmarítima, ao Fundo de Transportes e Comunicações, bem como em relação às actividades desportivas e culturais, como é apanágio da nossa empresa”, lê-se na mensagem dos administradores.

Os CFM têm um papel central no desenvolvimento económico e social de Moçambique, servindo como elo vital entre os centros de produção nacionais e os mercados nacional, regional e internacional, assegurando a mobilidade de pessoas e bens. A Administração reconhece que actualmente a empresa enfrenta um momento crucial, de “alinhar a sua ambição de crescimento com as exigências de um contexto global em rápida transformação”.

Em 2025, o activo total dos CFM situou-se em 101 mil milhões de Meticais (1.5 mil milhões de dólares), contra 98.6 mil milhões de Meticais em 2024. O passivo total situou-se em 51 mil milhões de Meticais (798 milhões de dólares), contra 49.6 mil milhões de Meticais registados em 2024. Entretanto, o capital próprio dos CFM atingiu 49.8 mil milhões de Meticais (779 milhões de dólares) em 2025, contra 48.9 mil milhões de Meticais em 2024.

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