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10 de September, 2026

Cai produção e venda de gás de Inhambane por “problemas operacionais e calamidades”

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A produção e venda de gás natural e condensado retirado dos poços de Temane e Pande, na Bacia de Moçambique, província de Inhambane, caíram no ano económico de 2026 (01 de Julho de 2025 a 30 de Junho de 2026), da empresa estatal Companhia Moçambicana de Hidrocarbonetos (CMH), devido a calamidades naturais e problemas operacionais. Como consequência, o lucro da CMH caiu cerca de 10 milhões de USD em 2026.

Dados constantes no Relatório e Contas de 2026 da CMH indicam que a produção média bruta de gás em Temane e Pande pelo consórcio liderado pela Sasol foi de 402 milhões de pés cúbicos por dia, tendo baixado em aproximadamente 90 milhões de pés cúbicos por dia em relação ao ano de 2025, correspondendo a 18%.

Já a produção média total de gás condensado em 2026 foi de 787 barris por dia, reduzindo em aproximadamente 72 barris em comparação com o ano anterior, correspondendo a uma queda de 8.37% devido à baixa produção de gás.

Por consequência da queda da produção, as vendas também caíram em 2026. O consórcio vendeu, no último ano económico, um cumulativo de 142.16 milhões de gigas joules de gás natural, contra 168.40 milhões de gigas joules de 2025.

O volume total de vendas de gás natural no ano financeiro de 2026 foi de 15.58%, inferior em relação ao período anterior de 2025. Em termos de condensado, registou-se um volume de vendas inferior para 2026, na ordem de 11.13%, em relação ao período anterior.

Razões

De acordo com o Relatório e Contas da CMH, a redução da produção e venda do gás natural e condensado deveu-se a “problemas operacionais verificados na Central de Processamento, incluindo indisponibilidade temporária de unidades-críticas, o que impactou negativamente a produção em certos períodos do ano”.

Além disso, a fonte refere que houve limitação no fornecimento de gás a partir dos campos de produção face ao stock reduzido de furos, agravado pela perda de produção de alguns furos de Pande devido a problemas de integridade. A empresa explica ainda que, durante os meses de Janeiro e Fevereiro, a produção de gás foi reduzida devido às condições meteorológicas adversas, nomeadamente inundações que provocaram a interrupção da circulação na Estrada Nacional Número Um (EN1).

“A indisponibilidade da rodovia comprometeu o escoamento do condensado e, consequentemente, a gestão de capacidade de armazenamento na Central de Processamento. Como medida de mitigação, foi reduzido temporariamente o fornecimento de gás para exportação, privilegiando a produção dos furos de Pande, que apresentam menor produção de condensado, permitindo assegurar a continuidade das operações dentro das limitações logísticas existentes”, acrescenta a fonte.

Durante o período em análise, a CMH diz que a manutenção de rotina foi levada a cabo para minimizar as avarias no equipamento de produção, com o objectivo de reduzir paragens de produção na planta. “Contudo, houve ainda avarias de equipamento e paragens de produção, que resultaram em perdas de produção na Central de Processamento”, refere o Relatório e Contas da CMH.

Para além das referidas razões, a nossa fonte acrescentou que, em termos de condensado, registou-se um volume de vendas inferior em 2026, na ordem de 11.13%, em relação ao período anterior devido ao facto de a maior parte da produção ser proveniente dos furos de Pande, que contêm poucos líquidos em comparação aos furos de Temane. Apontou igualmente a queda do preço praticado para a venda de condensado em 2026, comparativamente ao ano anterior “devido à queda de preços do Petróleo Bruto (Brent) no mercado internacional durante o período em apreço”.

Lucro da CMH também caiu

Por consequência das razões aludidas, os lucros da CMH no negócio caíram cerca de 9.8 milhões de USD, tendo-se situado em 36.9 milhões de USD em 2026, contra 46.7 milhões de USD registados em 2025. O Relatório e Contas da CMH mostra um balanço caracterizado por um activo total de 403.6 milhões de USD, um passivo total de 127 milhões de USD e um total de capital próprio de 276.5 milhões de USD.

A CMH é a parceira moçambicana no Consórcio do Projecto de Gás Natural de Pande e Temane. São parceiros da operação conjunta a Sasol Petroleum Temane com participação de 70%, a CMH, que é uma subsidiária da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (empresa pública), com participação de 25%, e o International Finance Corporation, membro do Grupo Banco Mundial, com participação de 5%. (Evaristo Chilingue)

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