A África do Sul e a Nigéria concordaram em reduzir as tensões e fortalecer a cooperação na sequência dos recentes encontros diplomáticos, realizados em Abuja, na Nigéria. O Ministro das Relações Internacionais e Cooperação, Ronald Lamola, reuniu-se com o Presidente da Nigéria, Bola Ahmed Tinubu, para discutir a migração, a criminalidade transfronteiriça e as relações bilaterais.
Durante a visita, Lamola destacou três áreas específicas de preocupação que aumentaram as tensões recentes entre os dois países, incluindo a suposta instalação de um “Rei Igbo” no Cabo Oriental, em Março de 2026, e o envolvimento de certos nigerianos no crime organizado.
O porta-voz do Ministério das Relações Internacionais e Cooperação, Chrispin Phiri, afirmou que os dois países concordaram em melhorar a comunicação, combater a desinformação e acelerar a implementação de um mecanismo de alerta precoce para lidar com problemas, antes que se agravem, no qual as questões que afectam ambos os países serão sinalizadas imediatamente e tratadas ao nível bilateral.
Ele afirmou que os dois países concordaram em reduzir a intensidade da retórica pública que tem sido inflamatória nos últimos dias. “A África do Sul já assinou esse acordo. Estamos apenas aguardando que os nossos homólogos nigerianos o assinem ao nível de ministro das Relações Exteriores, de modo a se comprometerem a cumprir essa obrigação”, disse Phiri.
Os dois países também condenaram a xenofobia, o racismo e todas as formas relacionadas de intolerância e concordaram que a frustração pública com o crime não pode justificar a violência de grupos para-militares ou ataques a estrangeiros.
África do Sul e Nigéria, as duas maiores economias da África, buscam conter uma crise diplomática sobre migração, crime e um título de liderança tradicional disputado. A Nigéria é a nação mais populosa da África e a principal produtora de petróleo, enquanto a África do Sul possui a economia mais industrializada do continente, dando peso adicional aos seus laços bilaterais
Na qualidade de enviado especial do Presidente da África do Sul, o Ministro das Relações Internacionais e Cooperação, Ronald Lamola, reuniu-se com uma delegação nigeriana de alto nível designada pelo presidente nigeriano, tendo, na ocasião, entregue uma mensagem de Cyril Ramaphosa e realizado o que as autoridades descreveram como conversas francas com o objectivo de restaurar a boa vontade entre as duas nações.
A missão em Abuja segue-se a uma viagem semelhante a Gana dias antes, onde Lamola se reuniu com o presidente John Mahama, em Accra, como parte de um esforço mais amplo de Ramaphosa para tranquilizar os governos africanos, após semanas de retórica anti-imigração e violência que abalaram as relações com países cujos cidadãos vivem e trabalham na África do Sul.
Ambos os governos reafirmaram que a diplomacia bilateral e a solidariedade pan-africana oferecem o melhor caminho para resolver disputas sobre migração e segurança pública. Lamola levantou três pontos críticos que agravaram as relações. O primeiro foi a instalação, em Março, de uma figura não reconhecida intitulada “Rei Igbo” no Cabo Oriental, que, segundo ele, gerou preocupação pública num momento em que África do Sul ainda trabalha para formalizar o status constitucional da liderança tradicional na era pós-apartheid.
O segundo diz respeito ao papel de estrangeiros no crime organizado, tráfico de drogas e fraude financeira. Lamola disse que mais de 500 cidadãos nigerianos enfrentaram, até 7de Julho, o sistema de justiça criminal da África do Sul, ressaltando a necessidade de uma cooperação mais estreita em matéria de segurança.
O terceiro envolveu resistência à aplicação da lei e o surgimento do que é descrito como enclaves ilegais em propriedades invadidas no distrito de Hillbrow, em Joanesburgo, e na área de Sunnyside, em Pretória, o que, segundo ele, prejudicou a segurança de residentes sul-africanos e estrangeiros.
“Infelizmente, esses incidentes alimentaram percepções negativas em torno de cidadãos nigerianos que vivem na África do Sul ao longo dos anos”, disse Lamola, para quem “abordar esses desafios com firmeza, justiça e dentro dos limites da lei é vital para o bem-estar de ambas as nações.”
Lamola disse à delegação nigeriana que as prisões reflectem o policiamento baseado em evidências, direccionado à conduta individual, e não a comunidade nigeriana em geral. O lado nigeriano aceitou a necessidade de responsabilizar os infractores, mas insistiu no devido processo legal e no tratamento humano dos detidos.





