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28 de July, 2026

Transportadores paralisam actividades e moto-táxis tornam-se principal alternativa de mobilidade

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A paralisação parcial dos transportes semi-colectivos de passageiros, anunciada para esta segunda-feira, 27 de Julho, pelos automobilistas e proprietários dos “chapas”, em protesto contra o atraso no pagamento das compensações prometidas pelo Governo na sequência da subida do preço dos combustíveis, já provocou fortes constrangimentos na circulação de passageiros na Área Metropolitana do Grande Maputo.

Uma ronda feita pela “Carta” pelos principais terminais de transporte dos Município de Maputo e Matola constatou um cenário marcado por forte presença policial, centenas de passageiros aglomerados à procura de transporte, dezenas de “chapas” estacionados sem operar e apenas algumas viaturas a circular de forma limitada. Os moto-táxis surgem como a principal alternativa para quem precisa de se deslocar.

Por exemplo, no terminal do T3, no Município da Matola, o ambiente era de incerteza. Além da escassez de transporte, notou-se igualmente uma redução significativa do número de vendedores informais, sobretudo de hortícolas, que habitualmente ocupam os passeios do mercado.

Entre os poucos comerciantes presentes estava Rosta Alfredo, que relatou ter enfrentado uma verdadeira maratona para conseguir chegar ao local de venda. “Para chegar aqui tive de tomar muitos ‘chapas’. Os motoristas encurtavam rotas e cobravam os mesmos valores. Acabei por gastar 170,00 Meticais em cerca de quatro chapas para chegar aqui com a minha mercadoria”, contou.

Enquanto isso, os pontos de embarque permaneciam cheios de passageiros, que aguardam sem saber quando conseguirão seguir viagem. Camila Uetela, que esperava pelo “chapa” há mais de duas horas, disse que ponderava desistir da deslocação devido às dificuldades encontradas. “Nós aqui normalmente pagamos por ligações que eles pedem. Mas hoje, os transportes que estão a carregar cobram mais para levarem os poucos passageiros que escolhem. Eu queria fazer essa viagem para levantar uma encomenda, mas está muito difícil”, lamentou.

Entre os passageiros prevalecia a frustração. Muitos afirmavam que pessoas que chegaram aos terminais por volta das 07h00 acabaram por abandonar a espera. “Nós continuamos porque ainda temos esperança, mas não podemos continuar a viver assim”, disseram vários utentes, em uníssono.

Situação idêntica se verificava nos terminais de Matola-Gare, Zimpeto, Albazine e Praça dos Combatentes, estes três últimos no município de Maputo, com milhares de passageiros à espera de transporte para chegar aos seus locais de trabalho e de ensino. Nem os novos autocarros entregues aos municípios do Grande Maputo, em Maio último, eram vistos nos terminais e paragens dos autocarros.

No entanto, se para os passageiros o dia era de dificuldades, para os moto-taxistas o cenário era diferente. Os operadores ouvidos pela “Carta” afirmaram que a paralisação lhes trouxe um aumento significativo da procura, tornando a jornada particularmente lucrativa.

A reportagem observou ainda que alguns taxistas estavam a transportar até dois passageiros em simultâneo, sem as devidas condições de segurança e a realizar manobras consideradas perigosas para responder à elevada procura. (Lúcia Mucave)

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