Director: Marcelo Mosse

Maputo -

Actualizado de Segunda a Sexta

6 de October, 2025

Armando Guebuza critica poder egoísta e sem benefícios para o povo

Escrito por

O antigo Presidente da República Armando Guebuza considera que o desenvolvimento deve traduzir-se em benefícios concretos para os moçambicanos e não numa transformação abstracta, criticando um poder autista e não em prol do povo.

“Queremos ver, eu acredito, que nós todos queremos ver o nosso país desenvolvido, não desenvolvido em abstracto, um país desenvolvido por ter cidadãos que estão cada vez desenvolvidos”, afirmou Guebuza.

O antigo chefe de Estado (2005-2015) falava na sexta-feira (03) como orador principal de uma palestra alusiva ao Dia da Paz, que se assinala a 04 de Outubro, subordinada ao tema “Por uma juventude patriota e livre de vícios”, na Escola Secundária do Albasine, nos arredores do município de Maputo.

Para Armando Guebuza, um verdadeiro desenvolvimento social e económico deve traduzir-se na solução dos problemas que a população enfrenta.

“Quando os cidadãos são desenvolvidos se enchem de autoestima, transformam positivamente o mundo em que vivem, vencem as dificuldades que enfrentam, então sim, podemos dizer que nós todos em Moçambique seremos desenvolvidos”, afirmou.

Apontou a formação de quadros moçambicanos como um exemplo do crescimento do país como resultado da independência nacional, notando que o território era dominado por uma máquina colonial repressiva.

“Não conseguimos encontrar mil pessoas, em 1975 e 1976 com quarta classe, para entrar na escola básica da polícia, para a formação de guardas da polícia, não havia, tivemos que adiar o curso”, afirmou Armando Guebuza, para ilustrar a carência de moçambicanos com formação elementar.

Por isso, “espanta-me quando dizem que naquele tempo era melhor, então porque lutaste [contra o colonialismo português?”, questionou Guebuza.

Criticou o “poder pelo poder”, defendendo que as lideranças devem estar ao serviço do povo.

“A preocupação [após a independência] era como levar os moçambicanos ao poder, não o poder pelo poder, mas o poder para melhorar as condições de vida do nosso povo, o poder como um instrumento poderoso para vencer os desafios que a sociedade enfrenta”, enfatizou.

Instou os jovens a identificar os problemas que enfrentam e as soluções, alertando que cada geração se confronta com os seus próprios constrangimentos.

“O nosso desafio era tirar o colonialismo e o colonialismo era uma máquina pesada, habituada e experimentada na repressão, esse era o nosso desafio, vocês não tem colonialismo, há problemas, sim, definiam então os vossos desafios”, frisou Armando Guebuza.

Capacidade para explorar os recursos

Armando Guebuza defendeu a necessidade de o país ser dotado de capacidade técnica e humana para explorar os recursos naturais, observando que Moçambique depende de estrangeiros para extrair as suas riquezas.

“Já havia gás antes de eu nascer, mas os nossos antepassados nem sabiam que havia. Ainda hoje dependemos de estrangeiros para extrair recursos. Estudem Química, mas não saíam do país”, afirmou, desafiando os alunos para se formarem na área de hidrocarbonetos.

Apelou a uma melhor compreensão dos problemas que afectam o país, como estratégia de diálogo e reconciliação nacional.

“Temos que estimular o diálogo entre gerações”, enfatizou Armando Guebuza.

Guebuza alertou para o perigo de uma mentalidade de colono em detrimento de uma mentalidade independente, que foi o desígnio da luta pela libertação nacional.

Visited 66 times, 1 visit(s) today

Sir Motors

Ler 778 vezes