Oitenta anos depois, a comunidade maometana de Maputo tem novos estatutos. A nova “constituição” da agremiação foi aprovada ontem, em Assembleia Geral, por 123 dos 125 membros que participaram no evento. Ou seja, houve duas abstenções.
A principal novidade do documento é esta: os presidentes da comunidade podem ser eleitos por um máximo de dois mandatos de quatro anos cada. Anteriormente, os mandatos eram de 5 anos ilimitados.
Por outro lado, os presidentes da agremiação não podem voltar a pertencer aos órgãos sociais, depois dos dois mandatos de quatro anos. Apenas poderão ser aceites como membros honorários, mas isso só pode acontecer com a anuência dos membros.
Ontem, a comunidade aprovou também uma nova cláusula estatutária que introduz a figura de Director Executivo e confere novos poderes ao presidente para nomear e demitir colaboradores, sem ter que passar necessariamente por assembleias gerais.
Com os novos estatutos, a Comunidade Maometana de Maputo fica assim blindada contra as pretensoes do anterior Presidente Saleem Karim, em querer reassumir as rédeas da organização. Durante o seu consulado, ele permaneceu sete anos sem apresentar contas, provocando estragos patrimoniais e de reputação.
No ano passado, ele foi denunciado por membros da comunidade que acusaram de usar uma conta da associação (as conta do Zakaat) para a prática de “usura”, severamente condenada pelo Islão. A conta do Zakaat reúne contribuições dos membros destinadas à caridade. Nos círculos policiais, ele é considerado como tendo ligações com a agiotagem, o rapto de pessoas e tráfico de substâncias proibidas. (Carta)





