O novo Governador do Banco de Moçambique, Felisberto Dinis Navalha, diz ter encontrado contas positivas do Banco Central, referentes ao primeiro semestre de 2026, depois de dois anos a apresentar um balanço negativo. Entretanto, afirma esperar por contas conclusivas de todo o ano e auditadas por firma independente. Ressalva que fechar o primeiro semestre com contas positivas não implica que as contas de todo o ano possam ser positivas, porque há sazonalidades.
“As contas do primeiro semestre, de facto, encontrei positivas, mas vocês entendem que a actividade de qualquer instituição tem sazonalidades. Haver sazonalidades não significa, necessariamente, ter fechado Junho com resultado positivo, implica fechar o ano com resultado positivo. Porquê? Porque pode haver custos que não tinham sido contabilizados no primeiro semestre, que vão ser contabilizados neste segundo semestre”, disse Navalha, há dias, durante a habitual conferência de imprensa após a reunião do Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique.
Acrescentou que “pode haver uma e outra iniciativa de investimento que ainda estava em processo de concurso, que agora vai ser operacionalizado. Então, tudo isso transferido, o balanço intermédio de Junho dá uma indicação. Não é conclusivo, mas melhor esperar para o final do ano. Eu encontrei o Banco, como recebi, esperamos o fecho das contas de Dezembro”.
Nessa altura, disse Navalha, o novo elenco terá uma “auditoria independente, que virá ao Banco, como regularmente o faz, vai-nos dar a fotografia real da casa. Mas também, internamente, temos auditoria interna que faz o seu acompanhamento”. Entretanto, mostra-se convencido de que os números recebidos reflectem a posição actual do Banco de Moçambique.
“Havendo uma e outra situação, acredito que a terceira e mesmo questões pontuais de registro que aconteçam em qualquer organização, não estou a duvidar do que foi-me entregue”, concluiu Navalha, que respondia à uma pergunta da “Carta” sobre os resultados apresentados pelo Banco de Moçambique dias antes da saída de Rogério Zandamela.
Lembre-se, faltando pouco mais de 30 dias para o fim do mandato de Rogério Zandamela, como Governador do Banco de Moçambique, o Regulador do Sistema Financeiro publicou Demonstrações Financeiras Individuais Intercalares referentes ao primeiro semestre de 2026, com lucros “astronómicos”. Tratou-se do primeiro Relatório de Contas Semestral em 10 anos de gestão do “Xerife”.
Em breve nota às Demonstrações Financeiras Individuais Intercalares referentes a 30 de Junho de 2026, o Banco de Moçambique afirma ter registado, no primeiro semestre, 4.1 mil milhões de Meticais de lucro. Segundo a instituição, esse valor corresponde a um aumento de 171% em comparação com igual período (primeiro semestre) de 2025. Nos primeiros seis meses de 2025, o Banco Central registou um prejuízo de 5.8 mil milhões de Meticais.
O resultado, diz o Banco Central, foi “impulsionado pelos ganhos nas operações financeiras, e um activo total de 992.732 milhões de Meticais, representando um crescimento de 2% (16.045 milhões de Meticais) face ao exercício de 2025”. O dado é confirmado pelo auditor independente, a Forvis Mazars SCAC, Lda., o mesmo que auditou as contas do ano de 2025.
Apesar de concordar que o Banco de Moçambique registou lucro no primeiro semestre de 2026, a Forvis Mazars SCAC, Lda., diz que as referidas contas não foram auditadas, nem por si, nem por outra firma de auditoria independente, pelo que, não foi possível apresentar opinião com reservas.
“As demonstrações financeiras relativas ao período de seis meses findo a 30 de Junho de 2025, apresentadas para efeitos comparativos, não foram objecto de auditoria, nem de revisão limitada da nossa parte ou de qualquer outro auditor. Consequentemente, não expressamos qualquer opinião de auditoria ou conclusão de revisão limitada sobre as referidas demonstrações financeiras comparativas”, lê-se no relatório Forvis Mazars anexo às Demonstrações do Banco de Moçambique, em análise.
Com essa afirmação, a Forvis Mazars SCAC, Lda. está a dizer que não foi possível examinar e certificar se os dados apresentados pelo Banco de Moçambique, naquele relatório do primeiro semestre de 2025, reflectem a realidade de forma correcta e imparcial do Banco de Moçambique. Aliado a isso, nos últimos dois anos, o Banco de Moçambique registou prejuízos, sendo que, em 2025, o prejuízo foi de 13.3 mil milhões de Meticais, enquanto em 2024 foi de 4.1 mil milhões de Meticais.
Em contrapartida, em 2025 os gastos operacionais aumentaram consideravelmente. Naquele ano, o Banco de Moçambique (sem incluir afiliadas), registou um total de 17.8 mil milhões de Meticais de gastos operacionais negativos, contra 13.8 mil milhões de Meticais também negativos registados em 2024.
Dentro dos gastos operacionais, salta à vista, os custos com o pessoal, que também dispararam nos últimos dois anos. Em 2025, o Banco de Moçambique (sem incluir afiliadas) gastou 11.7 mil milhões de Meticais negativos, contra 8.2 mil milhões de Meticais negativos registados em 2024.
Já nos custos com o pessoal, salta também à vista, os gastos com os seis administradores do Banco de Moçambique, incluindo o antigo Governador. Em 2025, os seis embolsaram 300.9 milhões de Meticais, contra 294.4 milhões de Meticais referentes a 2024. Com esses dados, depreende-se que, só em 2025, cada administrador recebeu 50.1 milhões de Meticais em todo o ano e 4.1 milhões de Meticais por mês.





