O Governo de Moçambique recebe, entre os dias 09 e 18 de Setembro de 2026, em Maputo, uma delegação do Fundo Monetário Internacional (FMI), no âmbito das discussões técnicas para a negociação de um potencial Programa ao abrigo da Facilidade de Crédito Alargada, informou, esta terça-feira (08), em comunicado, o Ministério das Finanças.
“A presente visita insere-se no quadro do relacionamento de cooperação de longa data entre o Estado moçambicano e o FMI e tem como objectivo central proceder a uma revisão aprofundada do desempenho macroeconómico recente, do estado de implementação das reformas em curso, bem como das perspectivas futuras de cooperação técnica e financeira”, lê-se na nota.
A cooperação com o FMI reveste-se de capital importância não só para a melhoria da gestão macro-fiscal do país como também para abertura a novos financiamentos para desenvolvimento do país.
A delegação vai manter encontros com diferentes ministérios, Banco de Moçambique, sector privado e instituições financeiras.
A visita ocorre seis meses depois de Moçambique liquidar antecipada e integralmente a sua dívida junto do FMI, no montante de cerca de 700 milhões de dólares americanos. Na altura, o Governo explicou que a liquidação visa proteger o balanço do Banco de Moçambique e manter a estabilidade macroeconómica do país.
Com a amortização total da dívida (que se estendia até 2031), outro objectivo do Executivo (não assumido publicamente), era criar espaço para negociar um novo programa de apoio financeiro com o FMI.
Entretanto, por um lado, numa análise, o Standard Bank sublinhou, em finais de Março, que esta era uma das dívidas mais concessionais (baixo custo) da carteira externa do Estado, pelo que o seu reembolso teria um efeito limitado no alívio da pressão de liquidez sobre o soberano.
De acordo com a análise, o valor amortizado equivale a aproximadamente 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB) estimado para 2025. Portanto, para o Standard Bank, o enquadramento global da dívida pública continuava a exigir prudência.
Por outro lado, alguns analistas questionaram a lógica de pagar antecipadamente uma dívida de baixo custo, numa altura em que sectores sociais enfrentam carências, apontando pressão sobre a disponibilidade de divisas. (Carta)





