O director-geral do Instituto de Cereais de Moçambique (ICM), Jobe Fazenda, negou hoje (20) ser arguido no processo-crime que levou à detenção, em Abril, do então director-geral do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), Joaquim Siúta.
Fazenda rejeitou as alegações de que é alvo de um mandado de detenção, num comunicado que emitiu na sequência de informações postas a circular por alguns órgãos de comunicação social moçambicanos referindo que o director-geral do ICM só não recolheu à cadeia. porque o “tribunal congelou” a sua captura.
“Não sou arguido no processo do INSS. Desde a abertura do processo, enquanto chefe da Unidade Gestora e Executora de Aquisições [UGEA] e após a cessação dessas funções, tenho colaborado com instituições de Justiça, prestando todos os esclarecimentos solicitados e mantendo-me inteiramente disponível para continuar a fazê-lo sempre que necessário”, diz a nota.
Jobe Fazenda também nega veementemente que tenha um filho menor nomeado administrador numa empresa de serigrafia gerida pela mulher do antigo director-geral do INSS e implicada no processo-crime.
“Não corresponde à verdade a informação de que um meu filho tenha exercido funções de administrador de uma empresa relacionada com os factos em investigação. Esclareço, de forma inequívoca, que não tenho nenhum filho com o nome mencionado nas informações divulgadas e não tenho filhos administradores de empresas, pelo que tal informação não corresponde à realidade”, pode ler-se no comunicado.
Jobe Fazenda reitera a sua disponibilidade para continuar a colaborar com as instituições competentes e prestar todos os esclarecimentos necessários, reafirmando o compromisso com a verdade, a transparência e o respeito pelas instituições de justiça. Acrescenta que aguarda que as instituições competentes apurem os factos e esclareçam todas as questões.
O semanário Canal de Moçambique escreve, na sua edição de quarta-feira (10) que, “em Abril de 2026, quando os gestores do INSS foram detidos, na lista dos que deviam ser recolhidos, estava, também o nome de José Luís Jobe Fazenda, então chefe da Unidade Gestora e Executora de Aquisições [UGEA]”, mas “estranhamente, Jobe Fazenda nunca foi capturado”.
O jornal diz ainda que “o mandado emitido pelo juiz Dalilo Mussagy continua nos autos, mas sem execução”.
Na aludida matéria, é avançado que o então chefe da UGEA recebeu dinheiro do esquema de corrupção que defraudou o INSS em 510 milhões de meticais.
Apesar dessa alegada participação no caso, continua livre, mas o seu então subordinado na referida unidade, José Chidengo, encontra-se detido, em ligação com o esquema.
“Segundo o MP [Ministério Público], um filho menor de Jobe Fazenda foi nomeado administrador na empresa da esposa de Joaquim Siúta. Quem está a proteger Fazenda?”, questiona o jornal.
Além de Joaquim Ciúta e José Chidengo, estão igualmente detidos no aludido processo o então director de Administração e Finanças do INSS, Jaime Nhavene, e o empresário Abubacar Sumaila.




