Director: Marcelo Mosse

Maputo -

Actualizado de Segunda a Sexta

29 de July, 2026

Censo revela que população de elefantes em Moçambique duplicou desde 2018 e ultrapassa 22 mil animais

Escrito por

A população de elefantes em Moçambique é actualmente estimada em 22.718 animais, mais do dobro dos 9.114 registados no último censo nacional, realizado em 2018. O dado consta dos resultados do Censo Nacional de Elefantes e Grandes Mamíferos 2025, apresentados na última sexta-feira (24) pela Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC).

De acordo com a instituição, o levantamento regista igualmente uma redução expressiva do rácio de carcaças de elefantes, que passou de 48,35%, em 2018, para 4,6%, em 2025. O resultado aponta para uma forte diminuição da mortalidade recente e confirma o declínio da caça furtiva em larga escala, embora persistam pressões sobre os habitats e riscos de “conflito homem-fauna bravia”.

O censo foi realizado entre Setembro e Novembro de 2025 pelo Centro de Estudos de Agricultura e Gestão de Recursos Naturais (CEAGRE), da Faculdade de Agronomia e Engenharia Florestal da Universidade Eduardo Mondlane.

Com um custo estimado em um milhão de dólares, o censo contou com financiamento do Governo da Suécia, através da Agência Sueca de Cooperação para o Desenvolvimento Internacional (SIDA), no âmbito do Programa de Conservação da Biodiversidade, coordenado pela BIOFUND, e com apoio técnico da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

Além do aumento da população de elefantes, o censo identificou tendências de crescimento ou estabilidade em várias espécies de mamíferos de médio e grande porte, evidenciando sinais de recuperação da fauna bravia em diversas áreas de conservação do país.

Segundo a ANAC, os resultados reflectem o impacto positivo das medidas de combate à caça furtiva, do reforço da fiscalização, da participação das comunidades locais na conservação e dos programas de reintrodução de fauna.

Um dos destaques do levantamento é que, pela primeira vez, a região sul de Moçambique concentra o maior número de elefantes do país, ultrapassando as regiões Centro e Norte. A ANAC atribui esta evolução à consolidação da Área de Conservação Transfronteiriça do Grande Limpopo, que facilita a movimentação natural dos animais entre o Parque Nacional Kruger, na África do Sul, o Parque Nacional de Gonarezhou, no Zimbabwe, e o Parque Nacional do Limpopo, em Moçambique.

Apesar dos resultados positivos, o censo alerta para a contínua expansão de actividades humanas no interior e nas zonas adjacentes às áreas de conservação, incluindo agricultura, assentamentos humanos, exploração madeireira e mineração.

Estas actividades contribuem para a degradação dos habitats naturais e agravam os conflitos entre as comunidades e a fauna bravia, razão pela qual a ANAC defende o reforço das acções de fiscalização, educação ambiental e promoção de modelos de conservação que gerem benefícios económicos para as populações locais.

Visited 16 times, 16 visit(s) today

Sir Motors

Ler 16 vezes