A Diocese de Quelimane está incomodada com a divulgação de informações consideradas sensíveis, relacionadas com a investigação do assassinato do seu Bispo, Dom Osório Citora Afonso. Numa “carta de repúdio” emitida no sábado pelo Administrador Apostólico Dom Estêvão Fernando, a Diocese de Quelimane lançou duras críticas contra alguns órgãos de comunicação social e utilizadores das redes sociais, acusando-os de violar segredo de justiça e de alegadamente estarem a realizar uma cobertura mediática irresponsável e prejudicial ao processo judicial.
Em causa estão reportagens divulgadas nas últimas semanas pelos semanários Savana e Canal de Moçambique, nas quais desvendam-se supostos desmandos protagonizados pelo padre Adelino Novais Amado, grupos de freiras e alguns funcionários da Diocese.
De acordo com as reportagens, os supostos desmandos estavam a ser travados pelo Dom Osório Citora, facto que poder ter precipitado o seu assassinato, na madrugada do dia 06 de Junho. Lembre-se que o padre Adelino Novais está detido junto com dois funcionários da Diocese de Quelimane, suspeitos de estarem envolvidos no crime.
Segundo a Diocese de Quelimane, determinadas publicações recorrem a alegadas fontes ligadas à investigação para divulgar conclusões preliminares, comportamento que, segundo sustenta, configura uma alegada violação do segredo de justiça.
A Diocese de Quelimane afirma que a exposição pública de elementos de um processo ainda em curso coloca em risco o trabalho das autoridades judiciais e compromete princípios fundamentais do Estado de Direito, como a presunção de inocência. A Igreja Católica avança que as notícias e comentários publicados nos últimos dias em torno do assunto procuram estabelecer ligações entre pessoas, actos administrativos e o homicídio de Dom Osório Citora Afonso sem qualquer decisão judicial.
Para a Igreja, trata-se de uma postura que promove julgamentos antecipados, alimenta a desinformação e contribui para a destruição da reputação de pessoas e instituições antes do apuramento dos factos. Defende que parte da cobertura mediática esteja a privilegiar a especulação em detrimento da informação rigorosa.
Na sua perspectiva, ao assumir o papel de investigador, acusador e julgador, alguns meios de comunicação ultrapassam os limites da liberdade de imprensa e acabam por interferir negativamente no normal funcionamento da justiça. A Igreja Católica entende que o direito à liberdade de imprensa deve caminhar “lado-a-lado” com a ética, a responsabilidade e o respeito pela Lei. “Informar não pode significar divulgar rumores ou condenar publicamente cidadãos sem provas”, sublinha.
Na sua missiva, a Igreja Católica, que não desmente as informações, apela às autoridades competentes a investigarem a alegada divulgação ilegal de informações protegidas pelo segredo de justiça e responsabilizem os seus autores, nos termos da legislação em vigor. Também pediu, aos órgãos de comunicação social e aos utilizadores das redes sociais, contenção e maior responsabilidade na divulgação de conteúdos relacionados com o caso.




