A introdução da tecnologia 5G em Moçambique e a expansão da conectividade digital para regiões ainda sem cobertura marcaram esta segunda-feira a abertura da V Conferência Nacional das Comunicações, organizada pelo Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique (INCM), em Maputo.
O evento, que decorre durante dois dias sob o lema “Comunicações como Pilar da Transformação Digital em Moçambique: Conectividade, Inclusão e Resiliência”, reúne líderes governamentais, reguladores, académicos, operadores e parceiros internacionais para discutir o futuro digital do país.
A conferência decorre num momento em que Moçambique procura acelerar a transformação digital e reduzir as desigualdades no acesso às tecnologias de informação e comunicação, ao mesmo tempo que prepara o terreno para a introdução da tecnologia 5G.
Na cerimónia de abertura, o secretário-geral da União Africana das Telecomunicações (UAT), John Omo, defendeu que o principal desafio do continente continua a ser garantir que as redes cheguem a mais pessoas, serviços acessíveis e efectivamente utilizados pelas comunidades.
“A África já esperou demais. Hoje já não podemos cometer os erros do passado de manter as pessoas fora do espaço digital”, afirmou, acrescentando que persistem desigualdades significativas no acesso às comunicações, mas que enfrentá-las é essencial para impulsionar o crescimento económico e o desenvolvimento dos mercados africanos.
A mesma preocupação foi partilhada pela secretária-geral da União Internacional das Telecomunicações, Doreen Bogdan-Martin, que defendeu um processo de transformação digital inclusivo.
“O futuro digital não deve ser privilégio de alguns, enquanto outros são deixados para trás”, declarou.
Presente na conferência, o Presidente da República, Daniel Chapo, sublinhou que a transformação digital não deve ser encarada apenas como uma questão tecnológica, mas também como uma dimensão de soberania nacional e independência digital.
“As comunicações representam muito mais do que acesso à Internet ou o funcionamento de redes móveis. Quando ciclones, cheias, inundações e outras intempéries afectam infra-estruturas críticas, a capacidade de manter ou restabelecer comunicações torna-se essencial para salvar vidas, coordenar operações de socorro e apoiar comunidades temporariamente isoladas, como aconteceu entre Janeiro e Março deste ano”, afirmou.
Por sua vez, o Ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga, defendeu uma utilização imediata das tecnologias disponíveis para acelerar a inclusão digital.
Segundo o governante, a simples existência de infra-estruturas tecnológicas não é suficiente para gerar desenvolvimento económico.
“A tecnologia por si só não gera rendimento. É preciso que existam utilizadores. As instituições públicas e privadas devem aderir aos serviços digitais, mas também é necessário promover a inovação, porque é a inovação que cria empregos”, afirmou.
Muchanga reconheceu igualmente que continuam a existir zonas sem cobertura digital no país, mas assegurou que o Governo está consciente da necessidade de disponibilizar serviços acessíveis para todos os cidadãos, acompanhados de suporte e capacitação para o seu uso.
A conferência serviu igualmente de palco para o reforço da cooperação entre Moçambique e Angola no domínio das telecomunicações.
O Ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social de Angola, Mário de Oliveira, explicou que o seu país tem vindo a apostar fortemente na expansão das infra-estruturas de telecomunicações, considerando-as a base para qualquer estratégia de conectividade.
“A conectividade só é possível quando existem infra-estruturas robustas”, afirmou.
Entre as iniciativas em curso, destacou o investimento num cabo submarino desenvolvido em parceria com a Namíbia e o lançamento, há três meses, do processo de construção de um satélite de observação da Terra, destinado a ampliar a partilha de serviços e a conectividade regional.
O governante angolano acrescentou que o seu país está igualmente a apostar na regulamentação das novas tecnologias, na ligação das escolas à internet e na formação de mão de obra jovem para responder às exigências da economia digital.
Durante a conferência, foram assinados dois instrumentos de cooperação entre Moçambique e Angola.
Segundo Mário de Oliveira, os efeitos desses entendimentos já começaram a produzir resultados concretos, tendo sido recentemente enviada uma equipa técnica angolana a Moçambique para instalar uma antena de telecomunicações

