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16 de April, 2026

Manutenção do preço, falta de divisas e pânico pressionam fornecimento de combustíveis – AMEPETROL

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A Associação Moçambicana de Empresas Petrolíferas (AMEPETROL) aponta a manutenção do preço no mercado nacional, mesmo após subida do preço dos produtos petrolíferos no mercado internacional e regional devido à guerra no Médio Oriente, falta de divisas no sistema financeiro nacional e pânico das pessoas, como as principais razões da pressão no fornecimento de combustíveis em algumas cidades do país.

Na última terça-feira (14), o Governo reconheceu, finalmente, haver “alguma pressão” no fornecimento dos produtos petrolíferos nos postos de abastecimento, depois de mais de um mês a negar a existência do problema.

Entretanto, o porta-voz do Governo, na 10ª Sessão Ordinária do Conselho de Ministros, Salim Valá, não disse porque há pressão no fornecimento de combustíveis.

Esta quarta-feira (15), “Carta” pediu à AMEPETROL para explicar as razões da crise que se tem verificado nas principais cidades do país, concretamente na cidade de Maputo e Matola, nos últimos dias.

Em resposta, o secretário da AMEPETROL, Ricardo Cumbi, começou por explicar, por um lado, que “a pressão no fornecimento de combustível é resultante do pânico instalado no consumidor, mesmo com todas as explicações que são divulgadas em vários órgãos de comunicação social [sobre existência de stocks no país], o cidadão não tem fé de que tal informação constitua a verdade, desde há sensivelmente três semanas”.

Por outro lado, apontou o impacto da guerra no Médio Oriente que encareceu consideravelmente os produtos petrolíferos a nível mundial e regional.

Disse que os combustíveis comercializados em Abril corrente foram comprados num mercado em que os preços já tinham sido inflacionados e, por isso, Moçambique deveria reajustar o preço à semelhança do que aconteceu nos outros países da região Austral.

O secretário da AMEPETROL explicou que a pressão que se verifica no mercado nacional não é só interna, mas também de consumidores de outros países, porque em Moçambique o combustível ainda é barato.

Ao contrário do Malawi, por exemplo, onde o preço do gasóleo por litro custa actualmente 240 Meticais, acrescentou.

“O impacto associado ao conflito do Médio Oriente está integrado no custo alto que as encomendas referentes ao mês de Abril em curso estão a reportar, comparativamente ao mês anterior de Março, em que o custo unitário da factura da gasolina subiu em 38% sobre o custo do mês de Março 2026. O custo unitário da factura do gasóleo aumentou em 102% sobre o custo de Março de 2026 e o custo unitário do Jet A1 [combustível para aviação] aumentou em 106% sobre o de Março passado”, explicou Cumbe.

“Este incremento do custo unitário eleva o volume da factura com o fornecedor, aumentando o nível da exposição das operadoras bem como a redução da sua liquidez para colocação de novas encomendas, já que o preço de venda ao público mantém-se inalterado”, explicou.

Segundo o secretário da AMEPETROL, o incremento do custo ou factura de fornecedor traduz-se num outro desafio atinente à obtenção das garantias bancárias junto dos bancos comerciais, por ser expressamente claro que o produto adquirido a certo custo vai ser vendido a preço que não vai traduzir ganho aos operadores e isso representa um risco para os financiadores da operação.

Outro problema, apontou Cumbe, está associado ao facto de todos os países vizinhos de Moçambique, desde o início do mês de Abril 2026, tem ajustado em alta os preços de venda dos combustíveis, gerando uma pressão nos corredores onde existe maior tráfico entre os portos e os diversos países do interior.

Desses países, a nossa fonte destacou “com maior particularidade a África do Sul, que tem o volume bem elevado do tráfego nas zonas sul e centro, em particular Tete, este último pelo facto de o Malawi (vizinho da província) ter o preço de venda mais alto da região [aproximadamente 247.00 Meticais por litro de gasolina e diesel] convertendo Kwacha malawiana para o Metical”.

Entretanto, apesar de a AMEPETROL pretender a revisão do preço de combustíveis este mês, o Governo, nas várias comunicações sobre a matéria, tem apontado o mês de Maio.

“Carta” contactou também a Autoridade Reguladora de Energia (ARENE) para obter informações sobre a pressão no fornecimento de combustíveis, mas, até ao fecho deste artigo, a instituição ainda não tinha reagido.

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