Enquanto o distrito de Caia registou novos casos de cólera associados a problemas de saneamento, a província de Cabo Delgado apresenta sinais de controlo da doença, tendo já declarado o fim do surto em quatro dos cinco distritos anteriormente afectados.
No distrito de Caia, na província de Sofala, foram registados 40 casos de cólera, na última sexta-feira, dos quais cerca de metade resultaram em internamento.
As autoridades sanitárias apontam o fraco saneamento do meio e o elevado índice de “fecalismo” a céu aberto, como principais factores para a propagação da doença. Um relatório do UNICEF indica que o nível de “fecalismo” a céu aberto, no distrito, aumentou de 57% para 68%, agravando o risco de contaminação.
A qualidade da água também preocupa. Das 28 amostras analisadas, 12 foram consideradas impróprias para consumo. A existência de zonas pantanosas contribui igualmente para a vulnerabilidade da região a surtos de cólera.
Perante este cenário, as autoridades de saúde garantem estar a intensificar medidas de prevenção e controlo junto das comunidades, com o objectivo de travar a propagação do vibrião colérico.
Cabo Delgado com evolução positiva
Em contraste, a província de Cabo Delgado apresenta uma evolução positiva no combate à cólera.
Segundo a médica-chefe provincial, Eugênia Assuzi, o surto, que havia sido declarado nos distritos de Pemba, Mecúfi, Metuge, Montepuez e Balama, já foi controlado em quatro destes cinco distritos, mantendo-se activo apenas em Balama.
Desde Novembro, foram registados 1.070 casos na província, dos quais 70% exigiram internamento hospitalar e 30% foram tratados em ambulatório. A maioria dos casos ocorreu entre mulheres e adultos com mais de 15 anos.
As autoridades destacam uma tendência de redução no número de casos em Balama. Nas últimas 24 horas, foi registado apenas um internamento, o que reforça a expectativa de que o distrito possa, em breve, declarar o fim do surto.
Apesar dos progressos, continuam a ser registados casos de diarreia em algumas unidades sanitárias, embora exames laboratoriais confirmem que não se trata de cólera.
Mesmo com a melhoria do cenário em Cabo Delgado, as autoridades alertam que o risco de novos surtos permanece, sobretudo, devido à época chuvosa, que ainda se faz sentir em várias regiões do país.
O sector da saúde continua a reforçar acções de prevenção, apelando à população para a adopção de medidas básicas de higiene, como a lavagem frequente das mãos, o tratamento da água para consumo, a higienização dos alimentos e o uso adequado das latrinas.
As autoridades sublinham que o envolvimento das comunidades é determinante para evitar a propagação da doença e consolidar os avanços alcançados no combate à cólera em Moçambique.





