A narrativa, com muitos laivos mentirosos, a propósito da fraude de 25 milhões de Meticais no BIM, centrada em contas do Instituto do Coração, vai de vento em popa nalguma imprensa que, mesmo tendo tido acesso ao processo, como nós, insiste nessa senda manipuladora, sobretudo relativamente à figura de Ebenizário Hamela, Director de Segurança do banco, que já devia estar em liberdade, mas o tribunal não homologou o despacho de abstenção e consequente soltura do visado, uma situação completamente inédita nos meandros da justiça moçambicana.
Ebenizário Hamela, Arão Ubisse e José Silva, todos constituintes do advogado Helder Matlaba, continuam sendo colocados na rede que orquestrou e beneficiou da fraude, mas o Ministério Público absteve-se de acusá-los. Porque será? Quem tem interesse em manchar Ebenizário Hamela?
Na primeira narrativa, ele era tido como o cabecilha de uma fraude de 2 milhões de USD. Entretanto, o processo mostra que ele não foi o cabecilha nem a fraude foi de 2 milhões de USD.
O cabecilha foi o gestor da conta do ICOR no BIM, AníbalMafulanhane, que tinha como comparsa a funcionária do banco em fuga, Oldacia Mabjaia. A fraude teve a colaboração, de fora do banco, de Dany/Dinis e de um professor de nome Patrício Massingue, arrastado para o grupo pela sobrinha (Oldacia).
Patrício Massingue foi incumbido de contratar “mulas” com contas no BCI e Standard Bank, para as quais o dinheiro foi transferido, embora as três instruções falsas foram feitas com recurso a fotoshop, mantendo nelas nomes de contas do ICOR, nomeadamente Associação Instituto do Coração (no BCI, com um NIB alterado, pertencente a Helcidio Monteiro), Instituto do Coração e Cardiologia (BCI, com o NIB de Hortêncio Escritório) e a terceira conta no Standard Bank, em nome do Instituto do Coração e Radiologia, mas com o NIB de Lidario Miquir.
As “mulas” receberiam, pela cedência das contas, um prémio inicial de 250 mil meticais, contudo, após os valores das transferências indevidas terem entrado nas suas contas (9 milhões e 7.5 milhões no BCI e 8.5 milhões no Standard Bank) as “mulas” exigiram mais, nomeadamente 800 mil cada, perfazendo 2.400.000 Mts.
A seguir, a tripla (Mafulanhane, Oldacia e Ubisse) contratouum super agente M-Pesa e Emola, de nome Jeremias Dombole, para efectuar transferências de valores para números de carteiras móveis fornecidos por AníbalMafulanhane.
Aníbal orquestrou instruções de fotoshop num dia em que ele não se encontrava a trabalhar; logo sua assinatura não constaria dos registos do dia, mas sim a de outro gestor, de nome Ebenizário Marrengula. A missão da fugitiva Oldacia Mabjaia foi a de aliciar a colaboradora Rosália Maíta, que estava escalada para carregar as operações no dia 30 de Abrilde 2025.
A colaboradora Rosália Maita, a única arguida localizada e que responde em liberdade, entregou as três instruções falsas à colaboradora Neid Mussagy, que transferiu os valores sem conferir a autenticidade no livro de protocolo da DirecçãoCorporate.
Quanto dinheiro efectivamente sacaram?

18 milhões de meticais, pois o “compliance” do Standard Bank suspeitou do movimento de 1.5 milhões, que havia sido ordenado para carteiras móveis, e bloqueou a conta visada, evitando que todos os 8.5 milhões fossem sacados. Entretanto,Oldacia Mabjaia desapareceu quando Aníbal Mafulanhane é detido no dia 27 de Novembro de 2025.
Porquê Ebenizário Hamela foi detido?
Ebenizário Hamela foi quem denunciou a fraude na procuradoria e foi o primeiro a prestar declarações. Foi detido por um erro de interpretação de “extracto” na data da fraude (30.05.2025) e porque a câmara que apontava para o “relógiodatador” no 12º piso (Direcção de Corporate) não tinha as imagens, pois o gravador de imagens acoplado aos “switches” informáticos que tem as câmaras nos pisos 8,11 e 12 parou de gravar no dia 21.05.25, após a Direcção de Informática ter feito uma intervenção remotamente para corrigir uma falha de comunicações no banco (foram enviadas configurações que fizeram com que o gravador parasse de gravar, carecendo de restart).
A ausência desta gravação impediu apenas de se saber quem poderia ter metido as instruções falsas num sector muito movimentado e cheio de papéis, em que os intervenientes tinham condições de introduzir normalmente, pois não passaram do relógio-datador as instruções falsas.
Não foi Ebenizário Hamela quem desligou as câmaras, tal como a narrativa mentirosa insiste em propalar.
E Hamela continua detido, estranhamente. Em 30 de Dezembro de 2025, a juíza Cláudia Barros, por sua vez, negou conceder liberdade provisória sob caução ao visado, mesmo reunindo os requisitos para o efeito. E em finais de Janeiro,Ebenizário Hamela, Arão Ubisse e Jose Silva beneficiaram de arquivamento do processo após conclusão da instrução preparatória. Não havia qualquer ligação entre o esquema já confessado, as contas beneficiarias da rede e estes trêsúltimos. E o Ministério Público decidiu retirar a maioria das acusações contra os três, mantendo apenas a de negligência.
Mas o ‘jornal investigativo” continua tratando Ebenizário como o principal mentor da fraude. Mesmo que o processo não o diga.
Tanta mentira para quê? Mesmo diante dos factos processuais? Jornalismo ficcionado? Será?





