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Actualizado de Segunda a Sexta

30 de March, 2026

Não há crise de combustíveis em Moçambique. Os automobilistas podem relaxar

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Na semana passada, um ataque de nervos apoderou-se de centenas de automobilistas em Maputo e arredores, temendo uma ruptura do stock disponível de combustíveis no país.

Não era para menos. A escalada brutal da guerra americana no Golfo, com tremendo impacto sobre a produção e transporte de combustíveis a nível global, causou um ataque de pânico à escala global, sobretudo depois que o Irão passou a condicionar o Estreito de Ormuz.

No caso de Moçambique, esse nervosismo decorreu da ausência de uma comunicação proactiva e assertiva por parte do Governo. E bombardeada todos os dias em suas televisões pelo noticiário da crise no Golfo, a percepção gerada na opinião pública foi a que o Governo escolhera o silêncio atroz de quem está entre a espada e a parede.

Também nós aqui na “Carta” subscrevemos esses temores. Entretanto, foi antes de abordarmos operadores relevantes do mercado em Moçambique que nos deram esta perspectiva de acalmia, garantindo que não há escassez de combustíveis.

De acordo com as fontes, o cenário mais realista é: possíveis restrições pontuais. Filas ou atrasos localizados e gestão mais apertada da distribuição. Mas isso ocorre devido à falta de dólares (divisas) e não por ausência do produto no mercado internacional. A situação dos combustíveis em Moçambique é essencialmente financeira e não física.

Embora o sistema de preços em Moçambique esteja pressionado pelos altos custos internacionais, o governo tem segurado os aumentos, transferindo o impacto que seria sentido pelos consumidores para as gasolineiras.

O maior risco actual não é a escassez de combustível, mas as dificuldades no acesso a divisas para importação.

Em suma, pode haver constrangimentos e limitações, mas não uma ruptura total de combustível. Até porque Moçambique é abastecido por um grande trader global: a Vitol é actualmente o principal fornecedor de combustíveis em Moçambique, ou seja, a capacidade de fornecimento global não é o problema e o risco não é “não existir combustível no mundo”. O risco está na capacidade de pagamento/importação/logística. Por outras palavras, o verdadeiro problema é: divisas, não combustível. Este é o ponto mais importante: não há falta física de combustível.

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