Com o fim da época chuvosa, a insurgência recomeçou em Cabo Delgado. O centro de liquefação de gás natural (GNL) na península de Afungi, a sul de Palma, foi transformado numa fortaleza, sem acesso terrestre e vigiado pelas forças de segurança ruandesas. O acesso será apenas por mar e ar. Isto significa poucos empregos para as empresas locais, e Palma e Mocímboa da Praia não servirão de bases para empreiteiros, como tinha sido planeado anteriormente.
A ExxonMobil e a Total Energies deixaram claro que os empreiteiros e subempreiteiros não podem trabalhar com “pessoas politicamente expostas” (PEP na sigla em inglês) e empresas, segundo o Africa Intelligence (23 de Fevereiro). PEP são funcionários do governo, políticos de alto nível e seus familiares. Esta mensagem foi transmitida às empresas de serviços que concorrem a contratos e visa limitar os custos e o envolvimento político e corrupto. Isto inclui membros do sistema económico da Frelimo que esperavam utilizar contactos políticos para ganhar contratos. Inclui também a ENH (Empresa Nacional de Hidrocarbonetos), parceira no projecto. O Africa Intelligence afirma que isto exclui a Tsebo Facilities Management (TFM), que esperava receber contratos. Um dos proprietários da TFM é Pascoal Mahikete Mocumbi, filho do antigo primeiro-ministro Pascoal Manuel Mocumbi. Pascoal Mahikete Mocumbi é também director comercial da ENH desde 2020. Outro proprietário da TFM é a Videre, gerida pelos irmãos Mamadou Chivambo Mamadhusen e Dingane Abreu Mamadhusen, próximos da Frelimo e filhos da ex-ministra dos Negócios Estrangeiros e do Ambiente, Alcinda Abreu. A TFM fornece refeições à Força-Tarefa Conjunta ruandesa e moçambicana que defende a fortaleza de Afungi.
Também em Cabo Delgado, o governo perdeu oportunidades de criar emprego ligado às minas de grafite. Para a mina de grafite de Balama, Cabo Delgado, a empresa mineira australiana Syrah assinou um acordo com a canadiana NextSource para exportar o grafite para Abu Dhabi, onde será transformado em ânodos para baterias de automóveis eléctricos, que serão depois enviados para o Japão. Os ânodos não requerem alta tecnologia e poderão ser fabricados em Cabo Delgado, mas aparentemente nenhum oligarca tem interesse em instalar uma empresa de fabrico em Balama.





