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26 de February, 2026

Invasão de terrenos ociosos: demolição de casas gera tensão no Bairro de Tsalala

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O Bairro de Tsalala, no município da Matola, viveu, na manhã de quarta-feira (25), momentos de forte tensão, na sequência da demolição de cerca de 200 habitações erguidas num terreno cuja posse está a ser disputada judicialmente. A intervenção ocorreu após uma ordem do tribunal, que determinou o embargo das obras no local.

Segundo os moradores, o terreno foi ocupado há cerca de dois anos por famílias que alegam não ter alternativa habitacional. No terreno, máquinas procederam à demolição das estruturas, enquanto um forte contingente policial se manteve no local para evitar confrontos.

A população manifestou-se contra a acção, demonstrando indignação perante o que considera uma medida injusta.

Os residentes reconhecem que o espaço pertence a um alegado proprietário, mas defendem que deveria ter havido diálogo prévio antes da execução da ordem judicial.

“Queremos que o dono venha conversar connosco. Estamos dispostos a sair, mas em boas condições”, afirmou Lumuara Amaral.

Alguns populares alegam ter investido recursos na limpeza e organização do espaço e afirmam que não abandonarão o local sem garantias.

“Entrámos aqui para viver. Não temos para onde ir”, declarou Mateus Fanequisso.

A contestação decorreu sob vigilância policial, incluindo agentes da Unidade de Intervenção Rápida (UIR), posicionados em diferentes pontos do bairro, para controlar a situação.

Contactado no local, o alegado proprietário do terreno remeteu esclarecimentos para o seu advogado, sublinhando que o caso se encontra em apreciação judicial.

Até ao momento da retirada da Carta de Moçambique do local, as demolições prosseguiam e alguns moradores tentavam retirar os seus pertences, num ambiente marcado por agitação e protestos.

As autoridades mantiveram-se no terreno, para assegurar o cumprimento da decisão judicial e prevenir eventuais distúrbios. Importa destacar que este é o segundo ponto onde as autoridades procedem à retirada compulsiva de famílias que ocuparam terrenos considerados ociosos sem aviso prévio.

Recentemente, situação semelhante ocorreu nas proximidades da Circular de Maputo, no Bairro do Albazine, onde diversas famílias viram as suas casas reduzidas a cinzas.

 

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