Moçambique voltou a perder pontos no Índice de Percepção da Corrupção, agravando, cada vez mais, a sua posição mundial no combate à corrupção. De acordo com o Índice referente a 2025, divulgado esta terça-feira, Moçambique perdeu quatro pontos em relação a 2024, tendo passado dos 25 para 21 pontos (dos 100 pontos possíveis).
A classificação deixa o país na 161ª posição no ranking mundial (de um total de 182 países), tornando-se no pior país africano de língua portuguesa em matérias de corrupção, em baixo da Guiné-Bissau, que também soma 21 pontos, os mesmos que tinha em 2024.
Cabo Verde, na 35ª posição, é o melhor país africano lusófono, com 62 pontos, seguido de São Tomé e Príncipe com 45 pontos, no 70º lugar, e Angola com 32 pontos, no 120º lugar. A África Subsaariana apresenta uma pontuação média de 32 pontos, sendo que apenas quatro (dos 49 avaliados) estão acima dos 50 pontos, colocando a região com o pior desempenho no Índice Global.
Dados da Transparência Internacional mostram que Moçambique registrou uma queda de 10 pontos na última década. Lembre-se que, em 2015, o país somava 31 pontos, ocupando, na altura, a 111ª posição do ranking mundial. Já em 2020, o país estava na 149ª posição, com 25 pontos, os mesmos que mantinha em 2024.
“Os números oficiais mostram que 334 novos casos de corrupção foram registrados no primeiro trimestre de 2025, a um custo de cerca de 4.1milhões de USD, o que demonstra a magnitude do desafio”, defende a Transparência Internacional, em sua análise à situação de Moçambique.
Referir que o Índice de Percepção da Corrupção é liderado pela Dinamarca com 89 pontos, seguida pela Finlândia e Singapura, com 88 e 84 pontos, respectivamente. Seychelles é o melhor país africano em matérias de transparência com 68 pontos, ocupando a 24ª posição no ranking mundial.
Os países mais corruptos do mundo, de acordo com a recente classificação da Transparência Internacional são o Sudão do Sul (oito pontos), Somália (oito pontos) e Venezuela (nove pontos), ocupando, respectivamente, as três últimas posições do ranking.
Refira-se que o Índice de Percepção da Corrupção é o ranking mais utilizado no mundo, em matérias de corrupção. Ele mede o grau de corrupção percebido no sector público de cada país, segundo especialistas e empresários.
A avaliação baseia-se, entre outras questões, nos seguintes aspectos: subornos; desvio de fundos públicos; funcionários públicos que usam seus cargos para obter ganhos pessoais sem sofrer consequências; capacidade dos governos de conter a corrupção no sector público; nomeações nepotistas no serviço público; leis que garantem que os funcionários públicos devem divulgar suas finanças e potenciais conflitos de interesse; protecção legal para pessoas que denunciam casos de suborno e corrupção; captura do Estado por interesses particulares restritos; e acesso à informação sobre assuntos públicos/actividades governamentais.





