O Governo decretou esta sexta-feira (16) o alerta vermelho em todo o país devido às chuvas intensas que têm caído e causado cheias, mortes, destruição de bens públicos e privados. A decisão foi tomada, após a segunda sessão extraordinária do Conselho de Ministros, liderada pelo Presidente da República, Daniel Chapo, com o objectivo de avaliar a situação da época chuvosa.
Após a sessão, o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, explicou que a activação do alerta vermelho em todo o território nacional tem por objectivo assegurar a coordenação centralizada da resposta imediata aos desastres, reforçar a mobilização de meios a diferentes níveis, para a assistência às vítimas incluindo meios aéreos, para o estabelecimento de uma ponte aérea, visando a monitoria e assistência humanitária às populações.
“Os mecanismos formais de gestão, para a imediata implementação das medidas ajustadas ao momento e impulsionar a retirada compulsiva das pessoas nas áreas de alto risco”, afirmou o governante.
Em termos de impactos da presente época chuvosa, desde Outubro de 2025, o Governo registou 231.730 pessoas, que constituem 46.179 famílias afectadas.
Entretanto, no período entre 22 de Dezembro de 2025 e 15 de Janeiro de 2026, o país registou 173 mil pessoas afectadas e oito óbitos, que elevaram para 103 o número total de perecidos em toda a época chuvosa. Segundo Impissa, as mortes foram causadas descargas atmosféricas, electrocução, afogamento, desabamento de infra-estruturas, incêndio e cólera.
Em termos de infra-instruturas, o Governo contabilizou 10.852 casas parcialmente destruídas, 4.615 casas totalmente destruídas, 27.865 casas inundadas, 15 unidades sanitárias e 44 casas de culto. Nesse período houve ainda o surto de cólera, tendo sido registados 2.145 casos nas províncias de Zambézia e Nampula.
O porta-voz do Governo alertou que ao nível da região sul, as bacias hidrográficas dos rios Limpopo, Incomáti, Umbeluzi e Nhanombe continuam a registar aumentos significativos do volume de escoamento das águas, tendo superado os níveis de alerta em resultado da elevada precipitação verificada no território nacional e nos países vizinhos.
Para evitar danos, Impissa vincou que todos os residentes próximos à bacia do Umbeluzi devem imediatamente evacuar-se porque poderá ocorrer cheias do nível de 2023 que foram arrasadoras.
O governante disse que a barragem de Massingir encontra-se a descarregar caudais acima de 10 mil metros cúbicos, tendo sido automaticamente accionado o descarregador auxiliar com o objectivo de auxiliar os caudais afluentes e descarregados.
Como consequência, o porta-voz do Governo disse que se prevê inundações de grande magnitude na bacia hidrográfica do rio Limpopo, sobretudo nos distritos de Chókwe, Guijá, Chibuto e Xai-Xai, com impacto também no distrito de Massingir.
“Em relação à bacia hidrográfica do rio Incomáti, prevê-se cheias moderadas a altas, com danos nos assentamentos humanos, nos distritos de Magude e Manhiça. Essa situação poderá ainda afectar áreas agrícolas e a transitabilidade rodoviária. Na bacia hidrográfica do Umbeluzi, prevê-se cheias moderadas com impacto nas áreas agrícolas e na transitabilidade rodoviária”, descreveu Inocêncio Impissa.
Segundo o governante, na região centro do país, a bacia hidrográfica do Búzi regista níveis altos causando inundações nos assentamentos humanos, nos campos agrícolas e condicionamento da transitabilidade rodoviária na vila do Búzi, Bándua e Gruja. Disse ainda que a bacia hidrográfica do Púngue também regista níveis altos, com impacto no abastecimento de água na cidade da Beira. Entretanto, ressalvou que, nos próximos dias a situação poderá melhorar.
Para o acompanhamento e apoio às províncias afectadas, o Presidente da República designou os ministros da Administração Estatal e Função Pública, Inocêncio Impissa para a província de Inhambane; da Agricultura Ambiente e Pescas, Roberto Albino, para a província de Sofala, da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá para a província de Gaza.
O ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Fernando Rafael, foi designado para a província de Manica e o secretário das Pesas, Momade Juízo, para a província da Zambézia





